Liturgia Diária 03/03/17

Liturgia Diária 03/03/17 (Sexta) – Mateus 9, 14-15.

REFLEXÃO DO SAUDOSO PADRE ANTÔNIO QUEIROZ E COMPLEMENTADA COM O SAUDOSO SÃO PEDRO CRISÓLOGO (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja.

Este Evangelho nos conta que um dia os discípulos de João Batista procuraram Jesus e lhe perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos o jejum, mas os teus discípulos não?” Jesus respondeu, que jejuara quarenta dias no deserto, comparando a sua presença física na terra com uma festa de casamento. Explica que não fica bem, numa festa de casamento, os amigos do noivo jejuarem, enquanto o noivo está com eles.

Jesus está se referindo à comparação que os profetas fazem entre a aliança de Deus com o seu povo e o casamento. Veja o que diz o profeta Oséias:

“Naquele dia, ela (a família do Povo de Deus) passará a chamar-me de “meu marido” e não mais de “meu Baal”… Afastarei desta terra o arco, a espada e a guerra, e todos poderão dormir em segurança. Eu me caso contigo para sempre, casamos conforme a justiça e o direito, com amor e carinho” (Os 1, 18-20).

Aplicando a profecia a si mesmo, Jesus se declara Deus, pois o casamento é entre Deus e o povo. A sua presença na terra foi a festa do casamento “para sempre”, isto é, uma aliança eterna.

O jejum praticado pelos judeus tinha um sentido de preparação para a chegada do Messias e do Reino de Deus. Como que os discípulos de Jesus iam praticar esse jejum, se o Messias já estava com eles?

Mas “dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”.

O noivo é Jesus. Ele será tirado do meio dos discípulos pela sua morte violenta. Então os discípulos jejuarão em sentido figurado, isto é, sofrerão tristeza e desolação, dificuldades e perseguições, por lhe serem fiéis na missão recebida.

Hoje em dia, a Igreja suavizou sensivelmente a lei do jejum, por exemplo, o jejum quaresmal que era tão duro e prolongado. Mas continua em pé o jejum do domínio das nossas más inclinações.

Existem sete vícios capitais que são os geradores dos pecados: Soberba, avareza, erotismo, inveja, gula, ira e preguiça. O grande jejum para o cristão consiste também em perdoar ou pedir perdão, voltar a conversar depois de um atrito, conviver com pessoas difíceis…

Nós só conseguimos praticar tudo isso, se nos exercitarmos, inclusive com o jejum no seu sentido estrito, que é dominar o apetite.

Existe ainda outro tipo de jejum muito importante: O jejum dos olhos. Há cenas que nos fazem mal, incitam-nos à violência, ao ódio, à desordem, à luxúria…

Quantos filmes e revistas nos conduzem a isso! “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”, disse Jesus. Vigiar é, entre outras coisas, praticar o jejum dos olhos.

Muitos líderes cristãos dão aos jovens um conselho muito simples, mas eficaz: “Você sentiu sede? Não beba logo a água, mas espere cinco minutos. Recebeu uma carta? Não abra logo, mas espere cinco minutos…”

É um ótimo treinamento do domínio sobre os impulsos do nosso corpo, ferido pelo pecado. Os instintos são cegos, tanto podem levar-nos para o bem como para o mal

Existe ainda o jejum do espírito. É controlar a língua, o afeto, o humor, a disposição para o trabalho, o domínio das emoções, saber dar um abraço quando sentimos vontade de fazer o contrário, saber engolir seco e não dizer nada, quando a nossa vontade seria fazer o contrário. As pessoas são capazes de fazer grandes sacrifícios pelo seu amado ou amada. Os que amam a Deus devem fazer o mesmo por ele. Por isso que os santos diziam que para eles a cruz era doce como o mel.

Na primeira Leitura, Isaías fala como é o jejum que agrada a Deus: “Acaso o jejum que prefiro não é outro? Quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição?… Então brilhará tua luz como a aurora.”

A exploração econômica é uma bofetada em Deus, pois prejudica os irmãos, especialmente os mais pobres. “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). Para o cristão, o dinheiro está a serviço da vida, não para escravizá-la. Seria o maior absurdo alguém explorar o irmão e se considerar em ordem com Deus porque faz abstinência de carne. Ou alguém fazer gastos inúteis, comprando coisas supérfluas, furtando-se à ajuda aos necessitados.

O perdão também é uma penitência, que faz bem aos dois lados: a quem perdoa e a quem é perdoado.

O amor de mãe é o mais belo retrato do amor de Deus por nós. “Acaso uma mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu de ti jamais me esquecerei!” (Is 49, 15).

Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa, enfrentou situações difíceis, como a fuga para o Egito, a morte do Filho na cruz… Sinal de que ela se exercitava no autodomínio, a fim de promover a vida. Santa Maria, rogai por nós!

Dias virão em que o noivo lhes será tirado, e então jejuarão.

“Há três atos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade, escutando o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado. Pois aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus.

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe deem tem de dar. […] Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira.

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus; devem ser a nossa defesa, pois são uma oração a nosso favor com este triplo formato.”

Deus abençoe você! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

Um abraço fraterno, e que tenhamos um abençoado dia na graça do Senhor.

Humildemente, seu irmão na Fé, Flávio Eduardo.

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