Liturgia Diária 15/03/17

Liturgia Diária 15/03/17 (Quarta) – Mateus 20, 17-28.

REFLEXÃO PESSOAL E COMPLEMENTADA COM A DE ALEXANDRE SOLEDADE.

Vamos ser sinceros? A Palavra hoje é dura para muitos de nós ouvir, e nisso me incluo, mas queiramos ou não, ela deve ser ouvida e refletida.

Já perdi as contas, de quantas vezes ouvi alguém dizer ou afirmar que os “piores estão dentro da igreja”.

De fato, estão e talvez também não estejam, depende do critério que adotamos. No entanto independentemente do critério, em ambos os casos, temos os piores exemplos.

Sim! Temos os piores exemplos em ambas as pontas. Vejamos!

Os piores exemplos dos “de fora” (…)

São aqueles que não estão na igreja e vê esse fato como vitória sobre quem tem um gosto diferente; quem ofende ou trata alguém diferenciadamente porque tem uma postura ou valores cristãos; quem caçoa ou ridiculariza o filho que quer ser coroinha, acólito ou seguir uma vocação religiosa; quem incentiva a outros (namorados, amigos, parentes) a se afastarem; quem só procura a benção da igreja movida por medo, status ou visualização social, ou seja, aqueles que só vão a igreja em datas festivas ou de profunda tristeza (casamento, sétimo dia, formaturas, batizados) e ainda ficam olhando no relógio “doidos” para ir embora. Que usam a catequese como babá dos seus filhos para poder ficar em casa assistindo futebol, (…).

Os piores exemplos dos “de dentro” são os narrados por Jesus no Evangelho de hoje.

Aquele que “vira dono da igreja”; que faz acordos para se eleger coordenador de um movimento ou pastoral; que só participa visando criticar; que afasta as pessoas; que implica por tudo e por coisas pequenas; que cobra regras, mas não as segue; que punem a comunidade por orgulho; que não vê seus próprios defeitos; que fazem da homilia um desabafo; que toca pensando que é show; que fala mais que o padre; (…).

Sabem o que é engraçado? Toda boa comunidade tem esses tipos “pitorescos”.

Mas, será que são os piores?

Não, não são! Como também não são aqueles que são criticados por esses “santos”.

Apesar de estarem equivocados quanto à forma de conduzir sua vida em relação aos outros, são pessoas que ainda buscam ficar do lado certo. O “dono da igreja” me lembra o namorado que de tanto amor “morre” de ciúmes da namorada. Não quer que ninguém converse com ela. É estranho, mas, amor demais pode virar ciúme!

Só ele está certo; só ela resolve… (risos), só eles serão salvos.

É um tremendo contrassenso com a mensagem de hoje.

“(…) Entre vocês, o mais importante é aquele que serve os outros. Quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido”.

Quantas vezes já nos pegamos fazendo algumas dessas situações também?

A Quaresma é um tempo propício para rever estas nossas posturas… Mas somente se estivermos com o nosso coração aberto ao Espírito Santo e em nosso coração estivermos preparados para perdoar, converter e amar.

Se olharmos com o nosso coração aberto ao Espírito Santo a Palavra de Deus nos dirigida hoje, ela nos fará refletir sobre os nossos trabalhos pastorais em nossa comunidade, até mesmo em nossos trabalhos profissionais.

Apesar do assunto poder ser amplo, e tentando dar uma sequência na minha realidade e de muitos que nos cercam, vou tentar me restringir aos nossos trabalhos pastorais, pois os trabalhos profissionais nem todos conheço e não tenho a consciência daquilo que cada um vive em sua realidade.

Já em nossos trabalhos pastorais em particular, – não que eu conheça a todos também – de nossa comunidade de fé, deveríamos ter uma mesma “direção”, um mesmo “pensamento”, um mesmo “objetivo”, que é a Boa Nova de Jesus.

Posso afirmar, categoricamente, que essa disputa de “poder” em nossas comunidades, se não é o maior, é um dos maiores problemas que geram grandes dificuldades na messe do Senhor. Que nos digam os nossos pastores: os bispos, os padres os diáconos, das dificuldades que eles têm em contornar o jogo de “poder”, que nós leigos, teimamos em travar, pois, de longe, bem de longe, ouvimos, refletimos e vivenciamos o que Jesus nos pede.

Existe uma “linha tênue”, “singela”, “sensível”, que separa o trabalho de “servidor” em trabalho de “servidão”, em trabalho de “doar” em trabalho de “ditador” em nossas comunidades. Existe um ditado popular, oriundo do grande pensador MAQUIAVEL, que se diz assim: “Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é”.

E infelizmente, isso se torna cada vez mais concreto pelo lado negativo e não pelo positivo, pois em vez de eu ser uma pessoa cada vez mais parecida com Jesus quando “estou no poder”, eu me torno cada vez mais parecido como “um chefe de nação que oprime o seu povo”.

Em nossas comunidades nós reclamamos que são as mesmas pessoas que sempre estão à frente das ações, que sempre aparecem, que sempre “mandam”.

Mas quando sou chamado a assumir estas funções, qual é a resposta que eu dou?

Mas a questão não é esta. A questão, ou a pergunta seria outra:

Uma má ação pode justificar uma boa ação?

Ou, uma boa ação pode justificar uma má ação?

Jesus nos mostra que não. Nós devemos anunciar a sua Boa Nova, devemos “beber o cálice” que Ele bebeu, devemos ser servos, mas não podemos ser “o governo que oprime”, não devemos ser o “mal gestor”, não devemos ser o “mal patrão”, o “mal coordenador”, o “mal dirigente”, o “mal chefe”, etc.

Jesus deixa bem claro aos seus discípulos, e principalmente a João e Tiago, que o poder maior não é o de comandar, mas o de servir, de estar pronto em ajudar, de sempre estar à disposição daquele que necessita de nossa ajuda, e em nossas comunidades de fé. Uma das principais formas de tornarmos este poder “de sermos servos”, são as nossas pastorais, são os nossos serviços, são os nossos ministérios.

Devemos assumir esta responsabilidade como os discípulos assumiram a responsabilidade de evangelizar aos judeus e aos pagãos, com a graça de Deus em suas vidas, mas também com a perseguição daqueles que são contrários ao amor, a misericórdia, ao perdão. Não achemos que as dificuldades que passamos hoje seja diferente das que os discípulos passaram naquela época; ou os mártires de ontem e de hoje passam.

Não. As dificuldades são as mesmas, mas a maior diferença são as nossas atitudes diante destas dificuldades.

Após o episódio do texto de hoje, temos a absoluta certeza, que apesar de todos os erros que os discípulos tiveram, todos eles, exceto Judas Iscariotes, realmente entenderam, compreenderam e agiram conforme a orientação de Jesus. Apenas para podermos ver, de todos os 12, mais Matias que substitui Judas e Paulo, apenas João não morreu em martírio, mas isso não quer dizer que não houve dificuldades em sua vida.

Todos eles “beberam do cálice de Jesus”, conforme a Bíblia, a Tradição e textos apócrifos nos dizem.

Pois bem, sobre os apóstolos e vários dos discípulos que seguiram à Jesus, sendo servos e não servidores, somos conhecedores das atitudes que eles tiveram, nas dificuldades e nas graças, mas, será que você agora, pode descrever quem você é?

— Você é um bom “servo” do Senhor ou um mal “governante” em sua comunidade?

— Você é capaz de “beber o cálice de Jesus”, sempre perseverando no caminho do amor, da humildade e da misericórdia?

Deus abençoe você! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

Um abraço fraterno, e que tenhamos um abençoado dia na graça do Senhor. Confie em Deus!

Humildemente, seu irmão na Fé, Flávio Eduardo.

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