Liturgia Diária 16/03/17

Liturgia Diária 16/03/17 (Quinta) – Lucas 16, 19-31.

REFLEXÃO PESSOAL E COMPLEMENTADA COM A DO SAUDOSO ANTÔNIO QUEIROZ.

Recebeste teus bens durante a vida e Lázaro os males. Agora ele encontra, aqui, consolo e tu és atormentado.

Este Evangelho nos traz a parábola do rico e do Lázaro, aquele homem rico que se banqueteava todos os dias, sem nem ligar para o pobre Lázaro que ficava sentado no chão, à sua porta, querendo matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. Certamente lhe davam algumas migalhas, mas isso não foi suficiente para o rico entrar no céu.

Na outra vida, Lázaro foi para o céu e o rico foi para o inferno. Além disso, a situação se inverteu: Lázaro tem nome, o rico não. Lázaro tem advogado (Abraão), o rico não. Lázaro é cidadão, o rico é excluído.

Nisso, o rico faz três pedidos, que lhe são negados:

— “Molhar a ponta do dedo para lhe refrescar a língua.”

Abraão lhe responde: Recebeste teus bens na terra e Lázaro os males; agora ele encontra consolo e tu és atormentado. Além disso, há um abismo intransponível entre nós.

— “Mande Lázaro à casa de meu pai, alertar meus cinco irmãos…”

Abraão lhe responde: Eles têm lá Moisés e os profetas, e os escutem!

— “Não, pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter.”

Abraão lhe responde: Se não escutam a Moisés e aos profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos.

O nosso amor aos pobres é necessário para entrarmos no céu. Mas deve ser um amor prático, manifestado em obras de ajuda e de partilha do que temos. Em resumo, ver o necessitado como nosso irmão, nossa irmã. Apesar desta clareza, alguns ainda têm dúvida sobre o caminho para entrarmos no céu!

Sabem porque muitos permanecem com esta dúvida? Você sabe qual é a sua riqueza que não está à serviço do mais necessitado?

— Você tem dinheiro e bens?

— Você tem estudo e conhecimento?

— Você tem tempo e disponibilidade?

— Qual o bem ou carisma que você tem como “riqueza”, e não coloca à disposição dos irmãos?

Pense bem?

A nossa sociedade é parecida com a casa daquele rico: o povo usa todo tipo de segurança para se prevenir dos Lázaros: chaves, portões eletrônicos, cães bravos, polícia, condomínios fechados. Ela quer os Lázaros bem distantes, para não os ver. Assim, nem as migalhas eles ganham.

Vendo isso, os jovens, a nova geração que se prepara para entrar nessa sociedade, parte dela, se revolta e parte para a droga ou a delinquência. E isso, infelizmente, é uma realidade.

“Moisés e os profetas”, lembrados por Abraão ao rico, são a Sagrada Escritura (Moisés) e os pastores da santa Igreja (profetas). Nós damos pouco valor à Palavra de Deus; entra por um ouvido e sai pelo outro. Moisés e os profetas são os últimos alertas de Deus a nós. A sua próxima manifestação a nós será no Juízo Final.

A Quaresma, que são festas litúrgicas, não são simples recordações de fatos passados, como bodas de prata ou de ouro, celebração de aniversário etc. Na festa litúrgica o fato celebrado acontece de novo agora, em seus efeitos.

Na celebração da páscoa – a passagem de Jesus da morte para a vida – todos os seus frutos salvíficos se derramam sobre a Assembleia Cristã que a celebra.

A celebração repete-se todos os anos porque cada ano a nossa situação é diferente e há nova necessidade de conversão. Daí a necessidade da preparação, para que a nossa páscoa vá além do ovo de páscoa.

Certa vez, um homem, depois de muita luta, conseguiu ficar rico: casa boa, carro bom, filhos na faculdade e vários imóveis alugados rendendo o suficiente para ele viver. Mas o anjo da morte apareceu para ele e disse:

— Vim buscar você.

Ele respondeu:

— Ah, sr. anjo! Bem agora que eu ia começar a viver uma vida mais tranquila? Deixe-me viver pelo menos mais três anos!

O anjo respondeu:

— Não.

O homem insistiu:

— Por favor, sr. anjo, então me deixe viver apenas mais três dias!

O anjo respondeu:

— Também não.

— E três minutos de vida, o sr. me dá?

O anjo concordou.

Nesses três minutos o homem pegou um pincel e escreveu a seguinte frase:

— Não seja bobo, empregue bem a sua vida!

Jesus contou uma história bem parecida com essa, que está em Lc 12, 16-21. Aquela do homem que teve uma grande colheita, construiu novos celeiros e disse para si mesmo:

— Agora vou comer, beber, gozar a vida.

Mas Deus lhe disse:

— Tolo! Ainda nesta noite, sua vida será retirada.

Maria, a mãe de Jesus, humana como nós, era bastante sensível aos pobres e necessitados do seu tempo. Socorreu os noivos, ajudou a prima necessitada… e uma das páginas mais veementes da Bíblia sobre este assunto é o seu hino Magnificat. Que ela nos ajude com o seu exemplo neste tempo de conversão!

Nós devemos ter um olhar de contemplação, e este olhar, deve ser olhar de conversão, que irá cancelar tudo aquilo que em minha vida é acomodação, indiferença, omissão, como evitar as pessoas que precisam de mim.

Nesta parábola, que Jesus nos contou e que acabamos de refletir, está um forte apelo à conversão. Enquanto vivemos é tempo de conversão, mudança de vida, solidariedade, tempo de viver as propostas do Reino que é amor, perdão, justiça, fraternidade. Amanhã talvez, eu e você não tenhamos mais tempo.

Observem, reflitam e acreditem na Palavra de Deus: depois da morte este nosso tempo não existirá mais, e viveremos eternamente como fomos encontrados neste momento, no momento de nossa morte.

Creia, você tem uma oportunidade de converter-se à Palavra de Deus e caminhar rumo ao Seu Reino: essa oportunidade é o dia de hoje, agora, pois o ontem não volta, o amanhã não nos pertence. O hoje, eu é que sou responsável por ele. Entre os salvos e os atormentados, existe um abismo que ninguém consegue transpor, e não existe nada que fará isso mudar, exceto Deus. Mas Ele é tão amoroso e misericordioso e, principalmente justo, que, o nosso próprio julgamento será realizado por causa das nossas atitudes.

Deus é tão maravilhoso que Ele nos dá a oportunidade de escolhermos o nosso próprio advogado: quem sabe Abraão?

E o nosso próprio juiz de condenação: nós mesmos.

E aí, se hoje for o seu dia, está pronto para o seu julgamento? De qual lado do abismo você estará?

Por isso, transcrevo o que nos foi dito no Documento de Aparecida:

“No exercício de nossa liberdade, às vezes recusamos essa vida nova (cf. Jo 5, 40) ou não perseveramos no caminho (cf. Hb 3, 12-14). Com o pecado, optamos por um caminho de morte. Por isso, o anúncio de Jesus sempre convoca à conversão, que nos faz participar do triunfo do Ressuscitado e inicia um caminho de transformação”. (DAp 351).

Deus abençoe você! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

Um abraço fraterno, e que tenhamos um abençoado dia na graça do Senhor. Confie em Deus!

Humildemente, seu irmão na Fé, Flávio Eduardo.

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