Liturgia Diária 21/03/17

Liturgia Diária 21/03/17 (Terça) – Mateus 18, 21-35.

Como é difícil pedir perdão. Como é difícil perdoar. Eu sei!

Mas vou ser sincero com vocês meus amigos, o meu maior problema não foi pedir perdão ou perdoar. Não mesmo!

O meu maior desafio foi aprender como fazê-lo, para que realmente o meu coração pudesse ficar novamente “livre, leve e solto” para continuar amando aos outros, a Deus e a mim mesmo. Esse foi o meu maior desafio.

Depois que, iluminado pelo Espírito Santo, pedir ou dar um VERDADEIRO perdão, é tão gratificante e prazeroso, que apenas com a sua experiência, você vai poder definir e entender o que senti. Não que eu seja um poço de bondade ou, que alguém tente me ver como um bom exemplo, pois erros eu tenho e muitos, que me digam meus parentes e amigos mais próximos, mas já que a reflexão da Palavra de Deus deve ser inserida na minha vida para que eu possa caminhar cada vez mais alicerçado na graça do Senhor, me sinto tocado em falar com vocês sobre como o perdão fez diferença em minha vida.

O primeiro e verdadeiro perdão “fora de casa” que tive a graça de concretizar à luz de Deus, foi diante de uma pessoa próxima a mim e a minha família, que por muito pouco, por causa de sua ação, quase terminou com o meu matrimônio. As verdades apareceram e tudo foi resolvido, mas em meu coração a dor era grande, pois eu não conseguia tirar a raiva de meus pensamentos, do ódio do que tinha feito comigo. E cada vez mais, a angústia foi aumentando, pois, em vez de me alegrar com a verdade o que mais se mantinha comigo era o rancor, e onde eu ia, ele estava comigo, como o título de um filme eu “dormia com o inimigo”, e isso não me fazia bem nenhum.

À Luz do Espírito Santo, encontrei forças não sei de onde, pois, eu é que fui pedir perdão àquela pessoa, não pelo que ela me fez, mas, pelo que eu estava sentindo dela, pois naquele momento, com tanto sentimento ruim dentro de mim, eu não era mais o inocente, pois eu estava me tornando o culpado. Este foi o verdadeiro primeiro perdão de minha vida, pois além de pedir perdão pelo meu erro consegui também perdoar aquela pessoa, que hoje continua fazendo parte da nossa vida, continuamos amigos e sempre solícitos um com o outro, como verdadeiros cristãos devemos ser.

Talvez você me pergunte, como também outras pessoas já me perguntaram:

— Mas Flávio, seja sincero, você esqueceu mesmo?

Não, não esqueci, pois, esquecer você nunca esquece, mas aquele sentimento “ruim” não existe, o “ódio e o rancor” não existem. Hoje o que existe, é o ensinamento que o perdão fez em mim e naqueles que me cercam. Em vez de sempre me lembrar do lado negativo da ação, eu sempre me lembro do lado positivo do perdão.

Meus amigos, para tentar ser um pouco mais claro, sabem ao que eu posso comparar a um verdadeiro perdão?

Imagine você, manuseando uma faca, e por um descuido, você se corta profundamente. A dor é imensa, angustiante. Talvez você grite, ou apenas “uive” de dor. Este é o momento que alguém fez algo de ruim a você.

Você então vai procurar um médico para que possa fazer uma sutura ou dar pontos neste corte. Este é momento em que a raiva toma conta de seu ser, pois até haver o curativo e o remédio para passar a dor, em seu coração você não pensa em mais nada.

Após isso, existe o momento da cura, onde que com o repouso, cuidados e medicamentos, a ferida vai cicatrizando de fora para dentro, com a ajuda dos pontos e dos medicamentos. Este é o momento onde devemos ter a nossa reflexão espiritual, onde que diante da sabedoria e discernimento do Espírito Santo, possamos diante da nossa dor, aumentar o nosso desejo em perdoar e amar, e só quando este estado estiver chegado realmente ao nosso coração, é que teremos realmente cicatrizado o nosso corte.

Agora, olhe a cicatriz que ficou em você. Será que você está sentindo aquela dor de quando houve o corte? Claro que não! Mas você sabe o que causou aquela cicatriz, não sabe? É claro que sim. Então, eis aí o seu perdão.

Uma outra graça que consegui com o perdão, foi quando, diante de uma atitude de um sacerdote para comigo e outras pequenas atitudes que não concordava de sua pessoa. Este sentimento da discórdia diante dele me trazia avidamente sensações que não gostaria de sentir e, pela luz do Espírito, me veio o perdão novamente acender em meu coração, ainda mais, eu não podia deixar que aquilo viesse a prejudicar o nosso convívio comunitário, pois, além de ser um dos MESC, tinha uma responsabilidade ainda diante dos jovens da paróquia. Não podia deixar que estes fatos “pessoais” envolvesse estes dois expoentes de nossa comunidade com o meu sentimento. Por uma segunda vez, e creio que até foi mais fácil, pois, como dizemos em um ditado popular, “matei dois coelhos com uma cajadada só”. Foi pelo Sacramento da Confissão, que diante deste mesmo sacerdote, pedi perdão pelos maus sentimentos que nutria por ele, e pude expor a ele, quais foram as ações que me levaram aquilo. Diante dele e diante de Deus, pedi perdão e perdoei-o.

— Mas Flávio, você perdoou ele, mas as atitudes do sacerdote mudaram? E ele, te perdoou?

— O fato que tenho que me preocupar não é com a da outra pessoa, mas comigo mesmo. Tanto, que entre nós, por ele já ter uma referência do que eu pensava, ficou até mais fácil de “conversar” e ou “discutir” certas ações ou falas, tanto de um lado como do outro. Agora, eu pedir verdadeiramente o perdão e verdadeiramente perdoar a ele, é uma ação minha, que cabe apenas a mim realizar. Se ele ou você vai pedir perdão ou perdoar, é uma ação que cabe apenas a ele ou a você.

Já a terceira vez, foi com um casal amigo nosso, que os considero, como posso dizer, como irmãos mais velhos que Deus colocou em nossas vidas para nos ajudar e orientar, com seus exemplos e palavras. Ficamos sabendo que por algo que eu havia dito, eu os havia magoado muito, só que, sinceramente, eu não sabia o que tinha dito. Mas só que agora, não adiantava tentar explicar o que se achava certo ou não, o mais importante era diante de Deus, que a nossa amizade continuasse forte, sincera e saudável no amor e na Palavra. Era o momento de se reconhecer errado, e com o coração sedento de amor e os olhos cheios de lágrimas, pedir perdão àqueles amigos e irmãos a quem eu havia magoado. E desta vez, não fui sozinho, pois a Ana Paula estava comigo, pois se foi como casal errei, como casal também o perdão nos iríamos fazer.

— Flávio, e o casal, perdoou vocês?

— Sinceramente não sei, mas que continuamos até hoje a nos ajudar mutuamente nos trabalhos da igreja, nos aniversários familiares e nas confraternizações da “SFS”, com certeza estamos juntos. O que vocês acham?

Agora, o maior perdão que já pedi e ou tive que dar, é aquele que estou fazendo a mais de 29 anos. É o perdão que tenho de fazer com àquela que escolhi que caminhasse comigo, por toda a minha vida. Se no seio de uma família houver um perdão permanente, um pouco mais próximo da compreensão do amor de Deus por nós estaremos. Os erros todos nós cometemos; a correção nem todos conseguiremos; mas o perdão, somente com o Espírito de Deus a nos iluminar é conseguiremos discernir a sua verdadeira dimensão.

Por isso, faço este convite a você: faça a experiência do perdão. Ou será que você gosta de ter este sentimento “ruim” em seu coração?! Vergonha, não é pedir perdão, vergonha é não se reconhecer errado. Lembre-se: setenta vezes sete.

Deus abençoe você! FIQUE NA PAZ DE JESUS!

Um abraço fraterno, e que tenhamos um abençoado dia na graça do Senhor. Confie em Deus!

Humildemente, seu irmão na Fé, Flávio Eduardo.

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