Liturgia Diária 23/01/17

Liturgia Diária 23/01/17 (Segunda) – Marcos 3, 22-30.

Bom dia. Antes de tudo, é sempre bom lembrar, que as reflexões que envio para vocês são nada mais que aquilo que compreendo pessoalmente sobre a Palavra de Deus, e de longe, deve ser considerada como a “verdade” ou o “correto” absoluto, mas apenas uma forma diferente de você ou de outro refletir sobre essa ou aquela passagem. Isso é nada mais que diversidade de opiniões. O que peço a você é que, reflita e veja se a forma que estou refletindo pode te levar a algo de bom, a algo de melhor. E nesse texto de hoje, Jesus nos alerta exatamente sobre isso, pois Ele não deseja que sejamos iguais, mas que as diferenças de pensamentos nos levem a um só caminho, ao Reino de Deus.

Por isso na 1 Cor 12, 4-11, Paulo nos diz o seguinte: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”.

Como podemos nós falar no Espírito Santo, se em nossos corações não aceitamos a diversidade de pensamentos dos nossos irmãos? Como posso falar em Cristo Jesus se não aceito a opinião do meu irmão sem mesmo tentar entender ou compreender a sua linha de raciocínio?

Vejamos, os milagres que Jesus realizou, provaram verdadeiramente a sua divindade, porém, Deus obriga você a ter fé e acreditar nestes milagres? É claro que não! Mas você já ouviu várias pessoas dizendo, mesmo cristãos, que Jesus não realizou este ou aquele milagre, não é mesmo? A quem podemos comparar estes “cristãos” na leitura de hoje? Àqueles que acreditam em Jesus ou aqueles que são “anátemas” no meio do povo?

Essa é a grande questão que Jesus travava hoje no meio dos mestres da lei, pois, como eles não entendiam e não aceitavam estes milagres, a forma mais fácil de tentar denegrir ou rebaixar o que não compreendiam, era a forma que muitos de nós hoje, infelizmente, ainda utilizam: caluniar e tentar desmoralizar aquele que faz o bem, pois eles mesmos, não conseguem fazer o mesmo. Ou será que estou falando alguma asneira?

Devemos compreender que a Fé deve brotar em nossos corações vinda do Espírito Santo, como a água cristalina que jorra de uma fonte pura no ceio da terra, sem mácula ou sujeira, mas livre e límpida para servir a todos por onde esta água irá passar.

Os mestres da lei disseram que Jesus expulsava os demônios em nome de belzebu, pois como eles não acreditavam nos milagres que se realizam diante de seus olhos e, podemos até a dizer, que como não conseguiam fazer o mesmo que Jesus, eles tentavam fazer a inversão de valores, procurando dar uma desculpa por aquilo que não compreendiam.

Quando Jesus começa a fazer a comparação de que um homem forte não terá a sua casa invadida, Ele está nos dando já o caminho que devemos trilhar, pois, o demônio é forte, acreditemos nisso, mas, se estamos verdadeiramente ligados à Jesus, tenhamos também a Fé, que Jesus é infinitamente mais forte e que sempre irá nos defender. De nada vai adiantar as maldades, as maledicências, as fofocas e as injúrias, pois, se o meu eu está voltado ao Senhor Jesus, nada irá me afastar de seu caminho.

Jesus libertava as pessoas do poder maligno que os afastava de Deus, como também Ele faz isso hoje conosco. Diante do Sacramento da Confissão temos esta oportunidade de fazê-lo, pelo poder dado por Cristo Jesus aos sacerdotes para nos perdoar os pecados, conforme está no Evangelho de João 20, 22b-23: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos”. Mas que fique bem claro, como já disse isso em outra oportunidade, com os sacerdotes cheios do Espírito Santo de Deus, não são eles quem perdoam os pecados, mas o próprio Deus é que nos perdoa.

Meus irmãos e minhas irmãs, vejam, acreditem e utilizem da maravilha que é poder contar com o perdão dos nossos pecados sempre que precisarem estar em paz com vocês mesmos.

Não sejamos incrédulos ou autossuficientes, pois caímos todos os dias, por mais que tentamos caminhar sempre na Palavra de Deus, apesar de estarmos firmes nos trabalhos em nossas comunidades, apesar da perseverança e amor que desprendemos diante das nossas famílias, estamos, a todo momento, cercados por tentações deste mundo que nunca se cansa de tentar nos derrubar, nos enfraquecer. Hoje as tentações podem ser por motivos financeiros, amanhã pela sexualidade, ontem pela saúde, onde que o mundo nos mostra que a nossa satisfação pessoal a qualquer preço e qualquer hora é a coisa mais “natural” a fazer, sem nos preocupar com as outras pessoas, independentes se são de nossa família ou não, pois o que é mais importante é o “eu”.

E não fiquemos cegos e nem nos tornemos hipócritas, achando apenas que os piores pecados são os grandes, não, as nossas pequenas faltas, os nossos pecados leves, aqueles que cometemos no nosso dia-a-dia são os piores, pois eles começam a se tornarem uma coisa “correta”, uma coisa “normal”, e que vai levar àqueles que te cercam, a realizar estes mesmos pecados, pois, se você, que é exemplo dentro da sua família como bom esposo, esposa, diante dos seus filhos, ou na sua comunidade como coordenador ou agente de pastoral, ou no seu serviço como chefe e diretor, está fazendo “estas” coisas, imagina aquele que tem em você um espelho, um reflexo, um exemplo a ser seguido.

E diante desses grandes ou pequenos deslizes, podemos ser confrontados ou confrontar àqueles com quem nos importamos. Se formos confrontar a alguém, que sejamos pacientes, caridosos e nem um pouco arrogantes, como se fôssemos acusadores e juízes, mas apenas demonstrar que a nossa intenção é a de ajudar e não prejudicar.

Se formos confrontados por um pecado “verdadeiro” que estamos cometendo, de início iremos refutar de todas as maneiras estes nossos pecados, e a maioria de nós, poderemos ser injustos, exagerados, irados e revoltados com essa verdade. Que possamos com a ajuda do Espírito Santo, reconhecer estes nossos erros, pedir perdão a quem magoamos, pedir perdão à Deus e nos levantar novamente, e nos pôr no caminho do Senhor.

Agora, se formos confrontados por um pecado que não comentemos, por uma “calúnia ou mentira”, que tenhamos Jesus como exemplo, onde que se defendeu sem ofender, justificou sem agredir, manteve a calma, a paciência, e diante da tribulação na sua vida, manteve-se alicerçado na Palavra e no Amor de Deus. Sei, que para nós, essa atitude é muito difícil, mas que, conhecedores de nossos limites, não enfrentemos as acusações de cabeça quente, mas que tenhamos um momento de reflexão e oração, e apenas depois, com os nossos pensamentos e sentimentos, em comum acordo com as nossas reflexões e orações, possamos nos defender e mostrar a verdade sobre isso ou aquilo.

Em nosso caminho de conversão, a todo momento seremos colocados à prova, principalmente por aqueles mais próximos: se você consegue a graça de perdoar, haverá aquele que dirá na sua frente que não conhece ninguém que consiga; se você disser que não consegue fazer algo, haverá alguém que dirá que apenas ela consegue e faz até melhor que todo mundo; agora, se você disser que consegue realizar algo, haverá àquele que dirá que ninguém que conhece o faz. E não foi isso o que acabamos de refletir na passagem do evangelho de hoje?

O Documento de Aparecida no número 351 nos diz: “No exercício de nossa liberdade, às vezes recusamos essa vida nova (cf. Jo 5, 40) ou não perseveramos no caminho (cf. Hb 3, 12-14). Com o pecado, optamos por um caminho de morte. Por isso, o anúncio de Jesus sempre convoca à conversão, que nos faz participar do triunfo do Ressuscitado e inicia um caminho de transformação”.

Meus irmãos, minhas irmãs, Jesus, movido pelo Espírito Santo, desde seu Batismo se apresentou como enviado de Deus. E todos podiam reconhecer que Ele vinha de Deus. Os que não aceitaram que em Jesus agia o Espírito Santo, estes cometeram o pecado eterno de que Jesus os acusou, conforme lemos em Mc 3, 29: Quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno. Por isso, demos graças a Deus que nos livra deste único pecado sem perdão pedindo: Jesus nos conserve sempre a seu lado e nos proteja do inimigo, livrando-nos deste pecado eterno.

Um abraço fraterno, e que tenhamos um dia abençoado na graça do Senhor”.

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Liturgia Diária 22/01/17

Liturgia Diária 22/01/17 (Domingo) – Mateus 4, 12-23.

Bom dia. REFLEXÃO DA MARIA DE LOURDES CURY MACEDO.

“João Batista, o grande profeta do Altíssimo, com suas palavras duras, chamava o povo à conversão, denunciava os erros inclusive de Herodes e Herodíades, que viviam ilegalmente casados e por isso João foi levado ao cárcere e mais tarde à morte.

Com a morte de João encerra-se a missão do Batista Precursor e começa a atividade do Filho de Deus. Fecha-se o Antigo Testamento e abre-se o Novo, “fecha-se o Primeiro e inicia-se o Segundo”. Cessam os passos de João, pois sua voz já não ecoa mais, fica seu exemplo, seus ensinamentos e seu testemunho.

Sem João, o precursor, Jesus vai para Galileia e se estabelece em Cafarnaum, cidade que ficava às margens do Mar de Genesaré ou lago de Tiberíades, onde Pedro morava. Cafarnaum será agora a cidade de Jesus.

Na cidade de Cafarnaum passava uma estrada que servia de rota para as caravanas da Síria ao Egito. Lá existia uma espécie de alfândega. Havia grande movimento de povos e de costumes, por isso a cidade de Cafarnaum era um pouco paganizada, considerada a “Galileia dos pagãos”. O povo era visto pelos gananciosos como simples “caminho do mar”, “gente da beira da estrada”, rota de caravanas, de exércitos.

Segundo o profeta Isaías, era um povo oprimido que vivia na escuridão e no sofrimento. Todos tinham enfrentado duras lutas com as invasões dos assírios. Jesus os reconfortaria com sua presença.

As expressões “Escuridão” e “região sombria da morte” são figuras da ignorância, das trevas do erro, do pecado, dos sofrimentos em que vivia aquele povo.

Como por Cafarnaum passava muita gente e de todo tipo, Jesus achou que era um lugar excelente para iniciar sua missão, demonstrando assim a misericórdia de Deus, que cuida de seu povo, de todo o povo.

Jesus começa a pregar, trazendo a mesma mensagem que trouxera João. Adverte que é necessário que se convertam, pois está próximo o Reino dos Céus. Jesus estabelece uma ligação entre a sua pregação e a do Batista e faz com que os pensamentos da humanidade se voltem para a conversão e a penitência.

Jesus é a grande luz que vem iluminar esse povo que andava na escuridão, o povo vê agora surgir uma grande luz. É a luz que ilumina os caminhos da salvação. Com Jesus, chegou o tempo da Redenção e esse é o Reino de Deus.

Jesus é o libertador, é a Boa Nova, que Ele realiza na sua pregação. E a síntese da Boa Nova é o Reino de Deus, que já está próximo, presente na pessoa de Jesus.

Jesus ensinava nas sinagogas dos judeus e por onde andava.

Sinagoga era o lugar onde o povo se reunia para estudar a Palavra de Deus. Ali Jesus transmitia sua mensagem libertadora, lendo e comentando as Sagradas Escrituras e interpretava a Palavra de Deus.

Jesus, com seus milagres e curas, libertava as pessoas da opressão, injustiça, marginalização. Queria libertar o homem todo e todo homem daquilo que o oprimia. Era o momento da implantação do reinado da justiça, paz e fraternidade.

A mensagem de Jesus apresenta-se bastante simples: Deus se interessa pelas pessoas.

O Pai não está alheio ao sofrimento do povo, ele ama a todos e quer a salvação de todos independente de religião, ser judeu ou ser pagão. Deus sempre vem ao encontro do povo. Quer o melhor para todos, mas quer também a participação do ser humano. Por isso Jesus convidou pessoas para conviver mais de perto com ele, para aprender a sua mensagem, para que sua missão nunca parasse.

Andando na praia, Jesus viu Simão, André, Tiago e João, que estavam lançando suas redes e convidou-os para segui-lo. Faria deles “pescadores de homens”. Eles deixaram tudo, renunciaram a tudo para segui-lo. Ser “pescadores de homens” significa ser apóstolo de Jesus. Quem é apóstolo se torna verdadeiro pescador de homens, salvando-os da confusão do mundo e levando-os para o Reino dos Céus.

Os quatro primeiros apóstolos que Jesus chamou eram pobres, rudes, sem formação, simples pescadores. São Paulo disse: “Escolhe os fracos para confundir os fortes”! Deus chama quem ele quer e não se prende a qualidades naturais. As pessoas não se convertem com argumentos, mas com a graça de Deus.

“Um sábio poderá convencer, mas não converter.”

Deus escolhe seus apóstolos e capacita aqueles que escolhe.

Jesus continua hoje chamando as pessoas para trabalhar na sua messe. Nós cristãos temos a missão de nos reunirmos em torno de Cristo, em sua Igreja, e trabalhar na construção do Reino de amor, justiça e de paz.

No Evangelho de hoje Jesus nos convida a Conversão, que é mudança de vida, de mentalidade. Nos convida a trabalhar na sua messe, a construir o Reino de Deus entre os homens. Nos convida a amar o próximo, a ser solidário, considerar todos com dignidade. A Conversão exige fé, e se temos Fé em Jesus, se acreditamos em suas Palavras não temos outro caminho a não ser segui-lo, a andar no mesmo caminho dele, seguir suas pegadas.

Que sejamos uma grande luz como Jesus, para iluminar o caminho de todos que trilham nas trevas do pecado e da ignorância.”

Um Imenso abraço fraterno!

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Liturgia Diária 21/01/17

Liturgia Diária 21/01/17 (Sábado) – Marcos 3, 20-21.

Bom dia. REFLEXÃO DA HELENA SERPA.

“Mesmo os parentes de Jesus tinham uma visão limitada da obra de Deus na vida dos homens e não alcançavam a grandiosidade da Sua Missão. Eles não entendiam que Jesus viera ao mundo revelar a glória e o poder de Deus e inaugurar o tempo da graça e libertação dos cativos, por isso, todos os que tinham fome de Deus O procuravam e eram atraídos a Ele.

Hoje, também as pessoas que se dedicam a evangelização, ao anúncio do reino dificilmente são entendidas, na sua própria casa, na sua família e pela sociedade.

Quando nós nos voltamos para as coisas do céu e começamos a desvalorizar as coisas terrenas as pessoas nos criticam porque “perdemos muito tempo” em coisas que não nos dão lucro.

Dizem que somos fanáticos, carolas, alienados, quando saímos pelo mundo pregando o Evangelho e queremos ajudar a tanta gente que sofre.

Do contrário, se aderimos às coisas que o mundo nos oferece e entramos na roda dos que valorizam os prazeres efêmeros, se nos detemos em ganhar dinheiro para ter sucesso, aí então, nós somos aplaudidos, enaltecidos e incensados.

Isso acontece porque nós humanos, temos a nossa visão restrita e superficial e não nos deixamos esclarecer pelo Espírito de Deus que mora em nós.

Fazemos coisas erradas, por ignorância e não entendemos a profundidade de Deus, ficamos no superficial e imaginamos esta vida como o objetivo central da nossa existência. Jesus também passou pelo crivo dos homens”.

Um Imenso abraço fraterno!”

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Liturgia Diária 20/01/17

Liturgia Diária 20/01/17 (Sexta) – Marcos 3, 13-19.

Bom dia. REFLEXÃO INSPIRADA NO SAUDOSO PADRE QUEIROZ (†).

Antes de começarmos verdadeiramente a nossa reflexão sobre o Evangelho de hoje, gostaria que você pudesse refletir um pouco sobre esse ditado popular, que assim, poderemos entender um pouco as escolhas de Jesus: “Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação”. Singelamente escrito, por Madre Teresa de Calcutá. E assim, começamos a entender o porquê Jesus chamou quem quis, para que ficassem com Ele e os enviar.

Neste Evangelho, nos é narrado o chamado dos doze Apóstolos, palavra que tem sua origem no grego, e significa “ENVIADOS”. Já o número doze, automaticamente nos remete às doze tribos de Israel.

Pois bem, Jesus sempre fazia retiradas estratégicas, se assim podemos dizer, quando ele necessitava de oração, orientação e reflexão. Quando ele ia ao deserto, era sempre para refletir sobre os seus sentimentos, as suas dúvidas, para não deixar que as tentações humanas o corrompesse. Já quando Ele subia à montanha, era sempre para orar e refletir sobre à missão do Pai, para que as luxúrias do mundo não o desestimulasse e o enganasse.

Mais uma vez, como no início deste texto de hoje, “Jesus subiu ao monte”, não é verdade? E com ele chamando os doze, o assunto era a “missão”. Vamos lembrar, que esta expressão, subir à montanha, é também uma expressão simbolicamente forte na Bíblia, pois ela não representa apenas um acidente topográfico ou um ponto geográfico, não, mas são lugares de “teofania”, isto é, lugares de aparição, revelação ou manifestação de Deus.

Podemos lembrar de alguns lugares assim: a Arca de Noé (parou no Monte Ararat); Abraão foi sacrificar Isaac (em um monte em Moriá); Moisés viu a sarça ardente (no Monte Horeb); Moisés recebe o decálogo (no Monte Sinai); Jesus proclama as Bem-Aventuranças (no Monte Eremos, ou Monte das Beatitudes ou Monte das Bem-Aventuranças); a transfiguração de Jesus (no Monte Tabor) … E o monte citado no evangelho de hoje, se tornou o Monte da Investidura Apostólica.

Entendamos que, a intenção de Jesus não foi a de criar um grupo separado do povo, mas guias para a Igreja que Ele começava a fundar. Jesus “chamou os que ele quis”, pois, a vocação é iniciativa divina, é Deus que chama este e não aquele, é um mistério que não entendemos. O certo é que, para uma missão ou outra, hoje ou amanhã, todos nós seremos chamados, e nós só seremos verdadeiramente felizes, diante da vocação que Deus nos deu.

E quantos de nós somos chamados para vivenciarmos esta presença de Jesus em nossa vida? Ontem quem foi chamado foi o José, a Ana, a Daniela, o Júnior, o Pedro, o João, o Paulo; hoje é o Flávio, é o Márcio, é a Amanda, é a Poliana, é a Sandra, é o Ademar, é o Marcos; amanhã é a Fernanda, a Juliana, o Diogo, a Vanessa, o Mozart, a Maria, o Renato. Jesus, “chamou-os para que ficassem com ele e para enviá-los.”

Primeiro, nós ficamos junto de Jesus, a fim de aprender dele a Boa Nova do Reino de Deus. Aprender e viver. E quando é que você foi chamado para estar junto de Cristo: nos Sacramentos da Eucaristia, da Crisma, do Matrimônio? No ECC, EJC ou Grupo de Jovens?

Depois é que somos enviados. Foi o que aconteceu com esses Apóstolos. Só mais tarde é que foram enviados a pregar. E quantos de nós recebemos chamados de Jesus para perseverarmos em nossas Famílias, dando cumprimento ao Sacramento do Matrimônio, ou para adentrarmos nas pastorais e movimentos de nossa comunidade?

E mesmo depois de enviados, Jesus sempre os chamava para um descanso, confraternização e oração juntos. Se não fazemos isso, nós nos esvaziamos; ninguém dá o que não tem. “Como é bom, como é agradável os irmãos viverem juntos!” (Sl 133, 1). E quantos de nós não participamos das festas em louvores, dos retiros, das formações, das adorações, dos terços e principalmente das Missas?

Jesus, “deu-lhes autoridade para expulsar demônios.” Ao enviá-los, Jesus os capacitou para a missão, dando-lhes todos os recursos e condições necessárias para cumprirem bem a tarefa. Mas não devemos nos sentir com a missão cumprida, pois as tentações do mundo e os nossos desejos pessoais podem atrapalhar tudo.

No grupo dos Apóstolos havia grande diversidade de caracteres, de temperamentos, de culturas, de mentalidades, de origem… São as diferenças que fazem a riqueza de um grupo. A convivência se torna, às vezes, difícil, mas é preferível.

Na lista dos Apóstolos, aparece em primeiro lugar Pedro, que é o chefe, o centro de unidade do grupo e de toda a Igreja. Já Judas Iscariotes aparece em último lugar porque foi o traidor. Por isso, é importante pensar bem, antes de assumir uma vocação, porque precisamos perseverar, apesar de todas as dificuldades, como fizeram os onze Apóstolos.

Consta-nos que quatro deles eram pescadores: Pedro e André, Tiago e João. Mateus era funcionário público. Simão, o zelota, foi membro da resistência aos romanos. Filipe era um judeu aberto. Tiago era, ao contrário, muito conservador. E os outros eram gente simples e desconhecida do povo. Nenhum foi influente na sociedade nem intelectual.

Como podemos observar, para realizar a sua obra, Jesus preferiu gente que não tinha peso social, para que se manifestasse melhor a ação e a força salvadora de Deus.

Quando Deus chama uma pessoa para determinada missão, capacita-a e dá-lhe todas as condições para exercer bem a sua vocação. Por isso, apesar dos medos e receios que nós temos diante do chamado de Jesus para trabalharmos no anúncio da Boa Nova, não nos deixemos paralisar, mas acreditemos com fé e com o coração aberto ao Espírito Santo, que foi Jesus quem nos escolheu.

Acreditemos, foi Jesus que “Chamou os que ele quis, para que ficassem com ele e para enviá-los”.

Um Imenso abraço fraterno!”

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Liturgia Diária 19/01/17

Liturgia Diária 19/01/17 (Quinta) – Marcos 3, 7-12.

Bom dia. REFLEXÃO INSPIRADA NA DO NOSSO IRMÃO ALEXANDRE SOLEDADE.

“Bom dia! Nessa semana, quem teve a oportunidade de acompanhar os evangelhos viu o empenho do Senhor em realizar o projeto do Pai (curas, milagres, a boa nova aos pobres) e também o “empenho” dos fariseus e diversos homens da lei em encontrar meios de por Jesus em ciladas. Jesus se desvencilha delas uma a uma, no entanto, como naquele tempo, nós somos também colocados à prova.

Então qual é a nossa postura que devemos adotar como aqueles que, como os apóstolos, seguem o Senhor e por seu projeto são perseguidos?

O que por ventura nos torna especial para o Senhor ao ponto de presenciarmos seus milagres enquanto projeta e apresenta novos planos que nunca imaginávamos ter?

O que ele espera de nós?

“… Então eu disse: Quem és, Senhor? O Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem persegues. Mas levanta-te e põe-te em pé, pois eu te apareci para te fazer ministro e testemunha das coisas que viste e de outras para as quais hei de manifestar-me a ti. Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados”. (Atos 26, 15-18)

Neste texto, São Paulo deixa bem claro esse sentimento que temos. Quando estivermos na “praia” para ouvir e nos converter à Palavra de Jesus, nós mudamos de lado, de opinião, de jeito, da forma de se vestir e de falar; abandonamos velhos hábitos, às vezes rapidamente, outras vezes, ao longo do tempo; notam nossa mudança, reparam as diferenças e por fim passam ver Jesus no nosso olhar.

Essa mudança não pode nos sufocar, pois a missão deve ser prazerosa e bem planejada. Jesus quando pede para que se encontre um barco para não ser acotovelado pela multidão demonstra também preocupação consigo e o Seu projeto.

“(…) Jesus pediu aos discípulos que arranjassem um barco para ele a fim de não ser esmagado pela multidão”.

Como poderia ajudar a outros tantos se fosse sufocado por poucos?

Todos que estão imbuídos de algum trabalho em prol de outros, sejam eles ministros, catequistas, casais, jovens, leigos, sacerdotes, pais, mães, filhos (…) devem ter uma coisa em mente: TODOS PRECISAM PLANEJAR SUAS VIDAS. É PRECISO ORGANIZAR SEU TEMPO PARA NÃO SEREM ESMAGADOS PELO EXCESSO DE OFÍCIO.

Conheço pessoas que estão engajados em três a quatro frentes de trabalho. Infelizmente, e não é novidade alguma, quero perguntar: que horas param para rezar?

Semeiam a palavra, catequizam, dão formação, mas em que momento param para tomar conta da semente que foi semeada em si mesmo?

Quantos jovens, casais, dedicados ao projeto de Deus que conhecemos, que após uma dura batalha ou um período de trabalho na sua pastoral ou movimento, se afastam da igreja e por vezes não mais retornam?

Infelizmente, estamos presenciando isso atualmente em várias de nossas comunidades.

A obra de Deus vai acontecer conforme a vontade Dele, pois é Sua vontade continuar. Uma igreja sem músicos, o povo cantará; um padre bom que vai embora, outro tão ungido virá e assumirá a comunidade. Somos aqueles que se preocupam em encontrar uma barca para o Senhor e não quem senta nela!

A nossa comunidade tinha cerca de 12 pastorais e movimentos e hoje são mais ou menos oito que estão verdadeiramente firmadas e perseverantes em seus trabalhos. Dentre tantos motivos do esfriamento está na falta de novos que “arrumem os barcos”, alimentando em algumas pastorais e movimentos a herança perpétua de algumas pessoas que pelo tempo, já se sentem no direito de sentar no barco, infelizmente.

Ou nós, e nisso me incluo, nos tornamos como João Batista e damos a oportunidade para que o outro apareça e esteja na “praia”, ou estaremos nós, sendo os causadores das mortes de nossas pastorais. Não é que devemos abandonar a “praia” onde está a barca de Jesus, não é isso, mas devemos dar a oportunidade de que outros ouçam e se convertam e perseverem nos trabalhos da Boa Nova do Senhor. Nós, cobertos pelo Espírito Santo, devemos permanecer humildemente à disposição na “praia”, mas, não mais como “protagonista”, mas como um “coadjuvante”, usando de nossa experiência para a ajudar àqueles que agora estarão à frente dos trabalhos do Senhor.

Nosso empenho deve estar focado em manter a palavra viva na praia. Jesus não deve parar de falar por nossa falta de empenho. Se fizermos nossa parte conseguiremos entender Santa Catarina de Sena quando disse: “Se fores aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo”.

E “pôr fogo” no mundo não quer dizer que sairemos com tochas na mão, mas com um fogo abrasador que arde no peito de cada cristão chamado: Espírito Santo.

Façamos o melhor para manter esse fogo ardendo no mundo. Sejamos verdadeiros cristãos.

Um Imenso abraço fraterno!”

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Liturgia Diária 18/01/17

Liturgia Diária 18/01/17 (Quarta) – Marcos 3, 1-6.

Bom dia. Será que diante das dificuldades que encontramos em nossa vida, devemos nos abater e não seguirmos em frente?

E eis, uma das principais causas de nossos deslizes diante da fé: a incoerência.

Esse é um dos grandes problemas que Jesus enfrentou em sua missão, que diante dos fariseus, ter que lhes mostrar qual era a verdadeira vontade de Deus, e não aquilo que acreditavam e faziam como sendo correto.

A reflexão tirada no site da CNBB nos dá uma luz sobre isso: “A vivência legalista e proibitiva da religião é uma das maiores manifestações da dureza de coração que pode acontecer na vida das pessoas. Quando isso acontece, as pessoas não são capazes de descobrir os valores que devem marcar o nosso relacionamento entre nós mesmos e entre nós e o próprio Deus, e a religião acaba por se tornar um mero cumprimento de obrigações e de ritos, numa verdadeira bruxaria e “mágica”. Esta forma de religião acaba por ter como um dos seus principais fundamentos a relação de poder, o autoritarismo e a estratificação social a partir da fé das pessoas. É por isso que as autoridades do tempo de Jesus procuram descobrir a maneira como haveriam de matá-lo”.

Vejamos, será que este homem com a mão seca, se não tivesse sido visto por Jesus, ele teria alguma chance de cura? E de vida social? E de uma vida religiosa, de poder entrar no templo apenas para orar?

Quem podemos concluir que encaminhou aquele homem se não o próprio Espírito Santo de Deus?

Queridos irmãos e irmãs, não devemos nós, perseverar em busca daqueles afastados do Senhor, como quando perdendo uma das cem ovelhas, onde à procuramos e a trazemos de volta ao nosso convívio?

Quando a achamos, não a colocamos em nossos ombros, e com grande alegria voltamos para casa e reunimos os amigos e nos regozijamos?

E não foi isso, que mais uma vez, Cristo fez com o homem com a mão seca?

Para nós, é sempre um mistério tentar resolver ou entender a vontade que o Espírito Santo coloca em nossos pensamentos e ações. É Deus que nos move e nos empurra, mas, como o nosso coração está fechado ao seu amor, paramos e nos paralisamos, realizando apenas a nossa própria vontade. Já esse homem descrito no evangelho de hoje, ele não parou, ele aceitou o chamado de Jesus e ainda lhe deu a mão, para que tudo fosse feito em sua vida.

Tenhamos a consciência e a fé, que por amor, o Espírito Santo não irá permitir que ninguém desista ao seu chamado, mas que também, por esse mesmo amor, não nos obrigará caso assim não queiramos.

Nós não somos chamados a desistir dos planos de Deus e nem mesmo de nossos sonhos, nem tão pouco de sermos colocados em um canto para sermos esquecidos. Deus nos quer como os protagonistas de nossas vidas, e que tenhamos toda a perseverança, o amor, a oração e empenho que Ele merece.

Precisamos entender verdadeiramente, que a nossa luta deve ser diária, devemos nos colocar sempre a perseverar, pois, o que vivenciamos ontem passou para nos ensinar, mas o dia de hoje, é novo, e por isso temos que entender que o “hoje” tem um propósito maior sobre tudo o que aconteceu e acontece.

Mas aí, podemos nos perguntar: mas isso não é meio ilógico, termos que fazer tudo de novo? Quem ergue as suas mãos àquilo que parece ilógico?

Bem, somente os filhos de Deus poderão entender e estender as suas mãos! Vejamos o que nos mostra o texto em Romanos 8, 14-18 e reflitamos: “Pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada”.

Sendo assim meus irmãos e irmãs, podemos compreender que devemos continuar mesmo que as dificuldades da vida nos apareça, pois àqueles que serão vistos por Deus como os que se destacam, são os mesmos que não desistem com facilidade. Se o que desejamos é construir uma pessoa nova, uma família nova, uma comunidade nova, uma cidade nova, uma país novo, um mundo novo, precisamos ter a atitude de perseverar na fé e termos a coragem de acreditar na Boa Nova de Cristo Jesus.

E quando houver as críticas, as perseguições, as calúnias e fofocas? Não devemos nos abalar e nem nos martirizar, pois, para esses que vivem apenas como críticos e céticos, a única coisa que podem fazer é falar, pois em nada possuem além disso. Podemos ver, que infelizmente, a maioria deles, nem mesmo outra opinião para ser discutida possuem.

Acreditemos, que eu, você, todos nós, devemos ter a dignidade em nossa vida de filhos e filhas de Deus, isso é o que Ele deseja. Sendo assim, para Deus, é primordial a nossa cura, a nossa libertação, a nossa conversão para trilharmos o plano que Ele mesmo traçou para a nossa vida.

Aqueles fariseus que estavam ali, no sábado, na sinagoga, não estavam querendo orar, mas apenas criticar, julgar e condenar, pois eles não entendiam o amor de Deus e colocavam empecilhos para que o plano de salvação se realizasse.

Será, que alguém de nós, já não foi na Missa, no dia de Domingo, apenas com o intuito de criticar o coral, o leitor, o sacerdote? Ou de julgar um irmão ou irmã que estaria ali presente? Ou quem sabe, constranger alguém com a nossa presença? Será que temos alguma diferença com os fariseus diante destas e outras atitudes?

Há sempre em nossa vida, em nossa fala, em nossa atitude, algo que precisa do olhar de amor de Jesus, de seu incentivo, de seu carinho e de sua atenção, pois Jesus, ainda hoje, continua desafiando a todos e o mundo, com o intuito de nos curar, para que abramos o nosso coração ao seu amor, que deixemos de ter a nossa “mão seca”, os nossos “olhos cegos”, o nosso “corpo paralítico”. Muitas vezes nos falta sermos caridoso com o irmão, sermos impotentes diante do pecado, da indiferença, do egoísmo, do medo, da indecisão, da incredulidade e de tudo aquilo que nos transforma em “doentes”. Por isso, devemos reconhecer os nossos erros, e como aquele homem, sermos humildes e mostrar à Deus os nossos pecados, para sermos curados por Jesus.

Mas o que na maioria das vezes fazemos, é o inverso, onde o que queremos é fugir de nós mesmos e nos refugiarmos sobre uma máscara que nos impede de reconhecer os nossos erros, os nossos pecados, as nossas deficiências.

Será que, não é por isso que não conseguimos a nossa cura física ou espiritual, e continuamos como aquele homem de mão seca e tantos outros, que estão perdidos na multidão e apenas preocupados com o que poderão dizer ou se justificar quando for revelado as nossas limitações, os nossos erros ou pecados?

Por isso, posso perguntar a mim mesmo e a você: “O que é permitido fazer nesse dia, em sua vida, o bem ou o mal? Salvar alguém da morte ou deixar morrer?”

Será que, novamente, Jesus irá olhar com ira e tristeza porque ninguém respondeu?

Meus irmãos e minhas irmãs, apresentemo-nos diante de Jesus, nos coloquemos no centro da sala, e humildemente admitamos as nossas dificuldades, as nossas limitações e os nossos pecados, estendamos as nossas mãos para que Jesus possa nos curar!

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Liturgia Diária 17/01/17

Liturgia Diária 17/01/17 (Terça) – Marcos 2, 23-28.

Bom dia. REFLEXÃO INSPIRADA NA DE NOSSA IRMÃ OLÍVIA COUTINHO.

“O medo do castigo, a observância exagerada de tantos preceitos, impede muitas pessoas de uma proximidade maior com Deus! Ao invés de conduzir o povo para o convívio com o Pai, muitos líderes religiosos, querendo formar um grupo fechado, acabam criando barreiras, impedindo as pessoas de vivenciarem uma intimidade de filho com o Pai!

Em todas as nossas situações de vida, devem sim existir leis e regras, mas com o objetivo do melhor, o de sempre ajudar, para que não aconteça o que podemos vislumbrar em vários cantos de nossa sociedade: cada um faz da sua forma, e se não é da forma que desejo, então eu saio e faço do meu jeito, sendo certo ou errado; ou ainda, as coisas têm que serem corretas, bem certinhas mesmo ou não estou satisfeito. E muitas vezes nos esquecemos que as leis foram feitas para nos direcionar e não para nos aprisionar.

E todo aquele que se ocupa com pormenores, que fica preso na observância exagerada de normas, não consegue captar a mensagem principal de Jesus, que é um convite a vivermos o amor na sua totalidade! Quem fica preso em pormenores, não enxerga novas possibilidades, não vive o belo da vida! Quem fica preso em pequenas coisas, não consegue ver a beleza do que é poder ajudar àquele que necessita de orientação ou ajuda, mas, é ao contrário, pois com a nossa atitude de apenas cobrar, afastamos as pessoas do nosso convívio, em Casa, na Família, na Igreja.

Sem uma intimidade profunda com Deus, não tem como viver as alegrias da fé! E são muitos, os irmãos que não vivem esta alegria por estarem submetidos a radicalidade religiosa imposta pelos os seus líderes, que ao contrário do líder Maior, escraviza as pessoas.

São muitas as religiões que só impõem, que ao invés de motivar as pessoas a um relacionamento maior com Deus e com os irmãos, só fazem proibições, passando para o povo a imagem de um Deus vingativo, de um Deus que está sempre à espreita, pronto para pegar alguém em alguma falha!

Tem também vários cristãos, sacerdotes ou fiéis coordenadores de pastorais, que utilizam desta mesma lei, para aprisionar àqueles de sua comunidade ou pastoral, aprisionando por um lado e proibindo o acesso pelo outro, pois, somente se estiver seguindo a minha “cartilha” é que pode ficar aqui ou acolá.

Não podemos esquecer nunca, de que Deus é só amor, que Ele só quer nos amar e nunca nos castigar! A verdadeira religião é aquela que apresenta valores, que leva as pessoas à maturidade em todos os sentidos, possibilitando-as a fazerem livremente a sua opção por Deus.

O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos fala de mais um conflito entre os fariseus e Jesus a respeito da observância do sábado! Embora conhecedores das Escrituras, os fariseus, na prática, estavam bem distantes do amor propagado por Jesus: o amor que gera vida!

As autoridades religiosas do tempo de Jesus, não tinham o compromisso com a vida, colocavam pesados fardos nos ombros das pessoas, leis, rituais que deveriam ser cumpridas rigorosamente como o Jejum, ritos de purificação, observância do sábado e tantas outras regras que eles mesmos criavam e que na verdade, tinham como pano de fundo, cegar o povo diante aos seus direitos.

A narrativa deixa claro, que os fariseus queriam pegar Jesus num casuísmo legal, já que o fato dos discípulos estarem apanhando espigas para saciar a fome, não lhes poderia ser atribuído como roubo.

Determinados a escandalizar Jesus, os fariseus procuraram, outra forma de incriminá-lo, alegando que os seus discípulos estavam infligindo as leis que proibiam o trabalho em dia de sábado, desconsiderando assim, a necessidade da sobrevivência deles. Ao ser criticado pelos Fariseus em nome da Sagrada escritura, Jesus responde estas críticas se baseando também na escritura: “Por acaso nunca lestes nas escrituras o que Davi e seus companheiros fizeram quando passara necessidade e tiveram fome?…”Mc 2, 25-26.

Não é difícil perceber, que até nos dias de hoje, presenciamos situações semelhantes, na realidade, o legalismo é um instrumento de alienação e opressão, que tem como objetivo desviar a atenção do povo. Enquanto o povo fica se ocupando com os pormenores, com a observância rigorosa de tantas leis, os donos do poder sentem-se livres para as suas práticas ilícitas.

As leis de organização social e religiosas só podem ter sentido, se forem elaboradas em favor da vida. E Jesus veio para libertar e fazer desabrochar a vida. Em todos os seus ensinamentos Ele sempre deixava claro que a vida tem que estar em primeiro lugar, acima de tudo, portanto, a necessidade de sobrevivência está acima de toda e qualquer lei!

Foi apanhando espigas em dia de sábado para matar a fome, que os discípulos, apoiados por Jesus, começaram a abrir caminho para uma nova mentalidade. A única lei que nunca deve ser descumprida, é a lei do amor!

Será que, nós mesmo, em nossa realidade familiar, social ou comunitária, não utilizamos das “leis de pais” ou “leis de esposos” para obrigar aos nossos esposos ou filhos a fazerem ou vivenciarem algo que nós mesmo não damos exemplo?

Será que, nós mesmo, em nossa sociedade utilizamos do nosso cargo de confiança ou da confiança de nossos chefes para lesar ou oprimir quem trabalha conosco ou utilizar de corrupção para nos beneficiar?

Será que, nós mesmo, em nossa comunidade de fé, por sermos coordenadores de pastorais ou movimentos, obrigamos e subjugamos os outros integrantes a fazerem exatamente aquilo que nós desejamos, colocando o ser “comum+unidade” em segundo plano?

Como poderemos nós, querer arrancarmos as espigas nos dias de sábado, se as nossas atitudes são as mesmas dos fariseus?

Como poderemos amar ao nosso próximo se não amarmos a nós mesmos?

Como poderemos alimentar o nosso próximo se não tivermos o alimento para dar?

Não poderemos dar força aos nossos irmãos e irmãs se nós mesmos estivermos fracos na fé e no amor. Por isso, sabiamente Jesus permitiu aos seus discípulos que arrancassem “espigas” em dia de sábado e infringissem a lei a fim de matar a sua fome.

FIQUE NA PAZ DE JESUS!”

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