Liturgia Diária 12/ABR/13

LEITURA DIÁRIA DA PALAVRA — 12/ABR/2013 (sexta-feira)

LEITURAS

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 5,34-42)

Naqueles dias, 34 um fariseu chamado Gamaliel, levantou-se no Sinédrio. Era mestre da Lei e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante. 35 Depois disse: “Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36 Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou. 37 Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram. 38 Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se este projeto ou esta atividade é de origem humana será destruído. 39 Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. 40 Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41 Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. 42 E cada dia, no Templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Proclamação do Salmo (Sl 26(27) 1. 4. 13-14 (R. Cf. 4ab))

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.
— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.
— 1 O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu temerei?
— 4 Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, / e é só isto que eu desejo: / habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; / saborear a suavidade do Senhor / e contemplá-lo no seu templo.
— 13 Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes. / 14 Espera no Senhor e tem coragem, / espera no Senhor!

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 6,1-15)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo
segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1 Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2 Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5 Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6 Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. 8 Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10 Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11 Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12 Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” 13 Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14 Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15 Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

… Eu sou o CAMINHO … (ler…)

Faço a leitura lenta e atenta do texto da Palavra do dia na minha Bíblia: Jo 6,1-15.
Jesus ficou sabendo que queriam levá-lo à força para o fazerem rei; então voltou sozinho para o monte.
A reflexão e os cálculos dos apóstolos são muito racionais e funcionalistas.
Jesus faz o milagre, a partir de um menino que coloca em comum tudo o que tem – cinco pães e dois peixes. Com certeza, o gesto de desprendimento do menino, que nada segurou para si, permitiu a realização do milagre! O pão foi multiplicado, todos comeram e ainda sobrou! É a lógica da gratuidade, do amor, do olhar mais para o outro do que para si mesmo, o olhar da fé.

… a VERDADE … (refletir e meditar…)

Seguro alguma coisa que não quero partilhar, dividir?
Minha lógica é do acúmulo, da centralização, do cada um por si ou é a lógica de Jesus, da partilha, da mão que se abre?
É a atitude da fé?
Os bispos, em Aparecida, disseram:
“Diante da exclusão, Jesus defende os direitos dos fracos e a vida digna de todo ser humano. De seu Mestre, o
discípulo tem aprendido a lutar contra toda forma de desprezo da vida e de exploração da pessoa humana. Só o Senhor é autor e dono da vida. O ser humano, sua imagem vivente, é sempre sagrado, desde a sua concepção até a sua morte natural; em todas as circunstâncias e condições de sua vida. Diante das estruturas de morte, Jesus faz presente a vida plena. “Eu vim para dar vida aos homens e para que a tenham em abundância” (Jo 10,10). Por isso, cura os enfermos, expulsa os demônios e compromete os discípulos na promoção da dignidade humana e de relacionamentos sociais fundados na justiça.” (DAp 112).

… e a VIDA … (orar…)

Meu coração já está em sintonia com o coração de Jesus.
Vivo este momento em silêncio. Depois, concluo com a canção (que pode ser rezada):

TEM GOSTO DE DEUS (Pe. Zezinho, scj).

Tem gosto de Deus O pão que a gente parte e reparte / Tem gosto de céu / O pão que se ganhou com suor / Tem gosto de paz / O pão que o povo não desperdiçou.

Tiveste pena do povo / Mandaste dar de comer / Alguém falou que era pouco / Tu nem quiseste saber Mandaste o povo sentar / Mandaste alguém começar / Alguém te obedeceu Foi milagre, foi milagre, / o milagre aconteceu!

Tem gosto de amor / O pão que a gente come lá em casa / Tem gosto de fé / O pão que a gente come no altar / Tem gosto de luz / O pão e o vinho que dão Jesus!

Tiveste pena do povo Mandaste dar de comer / Alguém falou que era pouco / Tu nem quiseste saber Mandaste o povo sentar Mandaste alguém começar / Alguém te obedeceu / Foi milagre, foi milagre, o milagre aconteceu!

Tem gosto de dor / O pão que vale mais que o salário / Tem gosto de mel / O pão que o meu trabalho ganhou / Tem gosto de fel / O grão de trigo que o país perdeu!

Tiveste pena do povo Mandaste dar de comer / Alguém falou que era pouco / Tu nem quiseste saber Mandaste o povo sentar Mandaste alguém começar / Alguém te obedeceu / Foi milagre, foi milagre, o milagre aconteceu!

Quer ouvir a música?
Acesse: http://letras.kboing.com.br/#!/padre-zezinho/tem-gosto-de-deus/

Qual deve ser a MISSÃO em minha VIDA hoje? (contemplar e agir…)

Meu novo olhar é de fé, para os outros, para as pessoas que encontrar no dia de hoje. Minhas mãos vão estar abertas como as do menino do Evangelho.

REFLEXÕES:

1 – TODOS SOMOS CHAMADOS A COOPERAR COM CRISTO.

Irmãos e irmãs, uma característica do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João, é a insistência no senhorio de Cristo, o qual se manifesta antes mesmo do seu Mistério Pascal (Paixão-Morte-Ressurreição). Jesus é o Senhor em todos os momentos de sua história terrena e circunstâncias, ainda que tenham existido no passado – e até hoje – fatos que pareçam comunicar o contrário.

Na (1) perícope evangélica apresentada pela Sagrada Liturgia em Jo 6,1-15 nos é apresentado Jesus, os apóstolos e uma multidão faminta do Pão da Palavra, mas também necessitada do pão como alimento material. É Jesus, o Pão Vivo descido do Céu, quem mais ama imensamente a humanidade, e por isso se revela o mais sensível ao homem integral e suas necessidades básicas e transcendentais.
Então a Boa Nova apresenta o Senhor tomando, incansavelmente, a iniciativa do diálogo: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” (v.5). São João faz questão de ressaltar: “Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer” (v.6). Como é belo e verdadeiro constatarmos que o senhorio de Cristo não se impõe, revelando-se assim, um Deus sensível e amoroso, sem deixar de ser Onipotente e Todo-Poderoso. Ele não é tirano e nem déspota!
A Santíssima Trindade, que é Comunhão divina, plena e total das três Pessoas, revela-se como fonte e paradigma de comunhão e participação para o ser humano e a Igreja de Cristo. Retornando ao Evangelho e sua dinâmica, percebemos que pedagogicamente o Senhor Jesus estabelece um diálogo, dá tempo para pensarem a realidade, até que num ato realista possam reconhecer a verdade, mas sem fechar as portas para o impossível, que somente Deus poderia realizar: “Filipe respondeu: Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um. Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro disse: Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” (vv.7-9). E pela Palavra e Poder do Espírito Santo, o Ungido do Pai realizou o milagre da multiplicação dos pães e peixes, em prol daquela multidão e também, a favor de cada um de nós!
Jesus com os apóstolos, forneceram o pão do sustento corporal às pessoas daquele tempo, os quais se alimentaram com as mãos e pela boca. A nós, depois de mais de dois mil anos, o alimento espiritual da Verdade que liberta, entra em nós pela escuta e fé no Cristo que sempre é atual, pelo Espírito Santo: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).
Claro que é perceptível nos Evangelhos que as palavras e sinais de Cristo, anunciadores do Reino dos Céus e Fundador de Sua Igreja, revelam-lhe como causa primeira de todo o bem que salva. Mas nem por isso os discípulos estão dispensados de cooperarem com o seu Mestre e Senhor, ainda que seja um desafio de fé e razão a relação do homem com o Deus que procura agir também por causas segundas.
O Papa Emérito, em seu último livro, traduziu muito bem estes dois polos de uma possível comunhão e participação: “Graça e liberdade compenetram-se mutuamente, e não podemos encontrar fórmulas claras para exprimir o seu operar uma na outra” (BENTO XVI, A infância de Jesus, 67). No entanto, o querer e procurar a Vontade de Deus sempre será parte nossa e meio de participação e comunhão com os desígnios do Senhor na história pessoal, família e eclesial.
O resultado de uma resposta generosa à generosidade primeira de Deus está muito bem representado neste mesmo Evangelho: “Recolheram os pedaços e encheram dozes cestos com as sobras dos cinco pães, deixada pelos que haviam comido” (Jo 6,15). Não é difícil percebermos a carga simbólica agregada a este acontecimento histórico, quando ao mistério da Eucaristia, que o próprio evangelista escolheu expressar no mesmo capítulo, um pouco mais à frente, no discurso sobre o Pão da Vida (cf. Jo 6,30-58).
Por fim, os primeiros discípulos de Cristo experimentaram o poder de Deus, presente e atuante no Filho e por meio d’Ele, agora no mesmo Espírito Santo que o acompanhou em toda a sua caminhada terrena. Precisamos aceitarmo-nos como profundamente amados e chamados a cooperarmos com o Amor, que quer “multiplicar” os corações tocados e comprometidos com a transformação deste mundo sedento de um alimento que o leve a reconhecer e proclamar: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo” (Jo 6,14).
(Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova)

(1) – Perícope (do grego περικοπη, “ação de cortar em volta”) é um trecho, pequeno ou longo, retirado de um texto que tem sentido completo. Trecho de um livro utilizado para transcrição ou para outras finalidades, e também por “passagem da Bíblia utilizada para leitura durante culto, sermão ou homilia”. É palavra do gênero feminino.

2 – O VERDADEIRO PROFETA.

A multiplicação dos pães levou a multidão a considerar Jesus como o verdadeiro profeta, aquele que todos esperavam, desde longa data. O fato de ter alimentado uma imensa multidão, contando apenas com cinco pães de cevada e dois peixes, revelou-se como sinal inequívoco da messianidade de Jesus. Daí o desejo do povo de fazê-lo rei, na esperança de que todos os seus problemas fossem resolvidos da mesma forma eficiente e rápida, que acabavam de presenciar. Foi grande a expectativa criada em torno dele.
Todavia, Jesus não se deixou levar por tal raciocínio demasiado pragmático. O povo não havia entendido o sentido do milagre, uma vez que o consideravam apenas sob o aspecto material de superação da fome pela abundância de pão. O objetivo visado por Jesus era bem outro: ensinar a todos que a partilha fraterna é um sinal irrefutável da presença do Reino, acontecendo na história humana. Por outras palavras: a partilha é um imperativo na vida de quem aderiu ao Reino, fazendo dele o centro de sua vida. Ou seja, o milagre dependeu da postura interna de cada pessoa, e não somente da iniciativa de Jesus.
O Mestre é o verdadeiro profeta não porque multiplicou os pães de forma prodigiosa, à revelia das pessoas, e sim, porque abriu o coração humano para o amor, muito bem expresso na partilha dos bens.

Oração:
Espírito de partilha, arranca do meu coração toda tentação egoísta de usufruir sozinho os bens deste mundo, sensibilizando-me para a pobreza dos meus irmãos.
(Padre Jaldemir Vitório – Dom Total).

3 – BOA NOVA PARA CADA DIA.

Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo (Jo 6,14).
Este Evangelho não narra nenhum fato referente à Ressurreição de Jesus como poderíamos esperar neste tempo pascal.
No entanto, a afirmação de João 6,14
─ Este é verdadeiramente o profeta que deve vir ao mundo ─ é verdadeira, mesmo que dita por pessoas que interpretaram a multiplicação dos pães e dos peixes de maneira errada, pois concluíram que aquele profeta devia ser feito seu rei. Se isso tivesse acontecido seria um desastre; portanto Jesus se afastou daquela multidão. Contudo, apesar disso, Jesus foi realmente o profeta que devia vir a este mundo, como fora dito por Moisés (Dt 18,15.18).
Qual missão teria o profeta predito por Moisés?
Não era a de multiplicar pães ou peixes, mas a de ensinar a vontade de Deus a seu Povo Eleito tal como Moisés fizera. Jesus profeta era o novo Moisés, para estabelecer uma nova Aliança de Deus com seu Povo. Como tal, Jesus consciente de ser esse profeta, esperou ser ouvido pelos líderes de Israel e por todo o Povo Eleito. Os chefes religiosos de Israel não acolheram o profeta Jesus nem sua Nova Aliança. Nós O acolhemos e vivemos a Nova Aliança selada por Seu Sangue. Podemos dizer que Jesus, de fato, foi o profeta que devia vir ao mundo, como disse Moisés.
(Padre Valdir Marques – Edições Loyola).

4 – “DAI-LHES VÓS DE COMER” (Mt 14,16).

“Dai-lhes vós de comer” (Mt 14,16).
No pão da eucaristia recebemos a multiplicação inesgotável dos pães do amor de Jesus Cristo, que é suficientemente rico para saciar a fome de todos os séculos, e que procura assim a colocar-nos, também a nós, ao serviço desta multiplicação dos pães. Os poucos pães de cevada da nossa vida poderão parecer inúteis, mas o Senhor precisa deles e pede-no-los.
Tal como a própria Igreja, também os sacramentos são fruto do grão de trigo que morre (Jo 12,24). Para os receber, temos de entrar no movimento de onde eles provêm. Este movimento consiste em nos perdermos a nós próprios, sem o que não nos podemos encontrar: “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por Mim e pelo Evangelho salvá-la-á” (Mc 8,35). Esta palavra do Senhor é a fórmula fundamental da vida cristã […]; a forma característica da vida cristã vem-lhe da cruz. A abertura cristã ao mundo, tão enaltecida atualmente, só pode encontrar o seu verdadeiro modelo no lado aberto do Senhor (Jo 19,34), expressão deste amor radical, que é o único capaz de salvar.
Do lado perfurado de Jesus crucificado saíram sangue e água. O que, à primeira vista, é sinal de morte, sinal do mais completo fracasso, constitui ao mesmo tempo um começo novo: o Crucificado ressuscita e não morre. Das profundezas da morte surgiu a promessa da vida eterna. Por cima da cruz de Jesus Cristo resplandece já a claridade vitoriosa da manhã de Páscoa. É por isso que viver com Ele sob o signo da cruz é sinônimo de viver sob a promessa da alegria pascal.
(Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013) – Evangelho Quotidiano).

5 – REFLEXÃO.

O capítulo sexto do evangelho de São João é reservado para o discurso sobre o sacramento da Eucaristia, e Jesus, no uso da sua pedagogia, prepara os judeus para esse discurso através da multiplicação dos pães. A prática pedagógica de Jesus deve ser o grande iluminativo para a nossa prática missionária, pastoral e evangelizadora. Nós devemos anunciar o evangelho a partir da realidade das pessoas, de suas experiências de vida, dos seus valores e das suas expectativas. Antes de anunciar a Palavra de Deus, precisamos criar a necessidade dela no coração das pessoas como Jesus, que a partir da necessidade do pão, cria a necessidade do pão da vida eterna.
(CNBB).

6 – A MULTIDÃO SEGUE JESUS POR CAUSA DOS SINAIS EM FAVOR DOS DOENTES.

O relato da multiplicação dos pães, nós o encontramos também na tradição sinótica (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17). A multidão segue Jesus por causa dos sinais que ele realizava em favor dos doentes. O sinal, por sua própria natureza, é ambíguo; precisa sempre ser interpretado, pois remete a outra realidade, diferente daquela imediatamente percebida. Jesus denunciará a cegueira da multidão e o equívoco a que está imersa: “… vós me procurais não por terdes visto sinais, mas porque comestes pão e vos saciastes” (v. 26).
(Catequisar).

7 – O QUE É ISSO PARA TANTA GENTE?

As multidões seguem a Jesus, sedentas de sua Palavra, famintas de algum sentido para viver. No cenário deserto, nasce também a fome material. Jesus faz a Filipe uma pergunta provocativa: “Onde havemos de comprar pão para eles comerem?”
Um rápido levantamento dos “recursos humanos” registra a presença de um garoto que levara consigo cinco pães de cevada e dois peixinhos. É a vez de André perguntar: “Mas que é isso para tanta gente?” Como quem diz: “Não dá nem para tapar o buraco do dente!”
Ora, caríssimo André, já era tempo de saber… Já acompanhas o Mestre há bom tempo.
Não estavas em Caná de Galileia quando mais de 500 litros de água da fonte foram transformados em vinho de primeira? (Jo 2.)
Não ouviste a notícia da cura do filho do funcionário real? (Jo 4,50-54).
Não estavas presente quando Jesus curou o paralítico na piscina de Betzatá? (Jo 5,8-9.)
Tais manifestações de sobre-humano poder não chegam ainda a aquecer as tuas esperanças?
Bem, acontece também conosco. Depois de tantas graças recebidas, após tantos “milagres” que o Senhor realizou entre nós, ainda insistimos em contar exclusivamente com nossas próprias forças, nossos próprios recursos, como se estivéssemos sozinhos e abandonados a nós mesmos…
Caríssimo André, bem a teu lado está Jesus Cristo, o Senhor da matéria, inventor da primeira semente de trigo, aquele que se apresentará como “Pão de vida”. Obedece e faz o que Jesus manda: convidar o povo a sentar-se sobre a relva e, a seguir, distribuir os poucos pães e os dois raquíticos lambaris. Todos esperam por alimento e o Mestre não quer ver ninguém com fome!
Ao final, André, se todos ficarem saciados e ainda sobrarem muitos pedaços, enchendo doze cestos com as sobras, talvez alguém se lembre de Elias e de Eliseu (1Rs 17,7-16; 2Rs 4,1-7). E recupere a memória perdida de um Deus que é Pai e alimenta seus filhos, mais do que alimenta as aves do céu, mais do que veste os lírios da campina…
Com quem estamos contando em nossa vida?
Apenas com nosso potencial humano?
Vivemos do próprio dinheiro, esforço e saber?
Ou já experimentamos que a graça de Deus atende cada dia às nossas reais necessidades?
Orai sem cessar: “Preparas uma mesa para mim, Senhor!” (Sl 23(22)).
(Antônio Carlos Santini – Comunidade Católica Nova Aliança).

8 – QUEM PARTILHA COM O OUTRO O PÃO MATERIAL, ESTÁ DESPERTANDO NELE A NECESSIDADE DE DEUS!

O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, mostra-nos mais uma vez, a sensibilidade de Jesus, diante a necessidade humana!
A fome de tantos irmãos, é uma ferida que sangra constantemente no coração de Jesus e está em nossas mãos, a cura desta ferida! Cura que pode vir de pequenos gestos de amor, que deve brotar do nosso coração e nos levar a partilha!
Quem de nós, não tem “5 pães e dois peixes”? Tomemos para nós, o exemplo daquele menino citado no evangelho, o menino que partilhou tudo o que tinha para o seu sustento e ficou saciado!
É difícil acreditar, mas é a mais dura realidade: num mundo de tanta fartura, ainda hoje morrem milhares de pessoas vítimas do nosso abandono. São muitos os irmãos, que continuam morrendo de fome, ou por doenças causadas pela desnutrição, consequência do nosso egoísmo, que nos impede de abrirmos o nosso coração ao amor solidário, o amor que nos leve a partilha.
A todo instante, pessoas necessitadas de ajuda, desfilam diante dos nossos olhos, são irmãos nossos, pessoas desprovidas do mínimo necessário para a sua sobrevivência. E quantas vezes, nós, que dizemos seguidores de Jesus, tampamos os nossos ouvidos para não ouvir os seus clamores, preferindo ignorá-los, para nos isentar de quaisquer responsabilidade sobre eles. E assim, vamos buscando mil desculpas para justiçar a nossa impassibilidade, diante a esta triste realidade.
Precisamos aprender a olhar o irmão com o mesmo olhar de Jesus, um olhar que não apenas constata a sua necessidade, como também, ajuda-o a encontrar o caminho que o levará a solução de seus problemas.
A exemplo de Jesus, não podemos fechar os olhos diante as necessidades do nosso irmão e muito menos transferir para outros, a nossa responsabilidade para com eles.
Precisamos conscientizar, de que somos corresponsáveis pela vida do outro, por tanto, não podemos permanecer indiferentes aos seus problemas, problemas que se chegaram até a nós, é porque também são nossos.
Podemos observar, que quase sempre, o que o nosso irmão busca em nós, não é muito, é sempre algo que está ao nosso alcance, às vezes uma palavra de esperança, um tempo para escutá-lo, ou simplesmente um simples sorriso nosso!
Como verdadeiros seguidores de Jesus, precisamos colocar em prática os seus ensinamentos e assim como Ele, estarmos sempre atentos às necessidades do outro, prontos para ajudá-lo no que for preciso.
De nada adianta, erguermos as nossas mãos para louvar a Deus, se não somos capazes de abaixá-las, para erguer um irmão!
O evangelho de hoje narra o episódio que marcou o milagre da multiplicação dos pães: o milagre da partilha! O ponto fundamental deste acontecimento é o amor, o amor que leva a partilha.
Sabemos que Jesus, se quisesse, poderia realizar sozinho a multiplicação dos pães, mas Ele quis envolver todos os seus discípulos, até mesmo um menino, um anônimo, cujo nome nem é citado no evangelho era apenas mais um, no meio da multidão, o que vem nos mostrar claramente, que Jesus quer agir no mundo, fazendo do coração humano, o seu próprio coração.
Jesus hoje, nos encarrega de saciar a fome de tantos irmãos, fome de pão e fome de amor, na certeza de que: colocando em suas mãos o pouco que temos, Ele se transforma em muito!
Onde existe amor, existe partilha, onde existe partilha, Deus entra, e o milagre da multiplicação acontece!
É nosso compromisso cristão, despertar no outro a necessidade de Deus, mas antes, é preciso saciar a sua fome, criar no seu coração a necessidade de Deus, como fez Jesus: a partir da necessidade do pão material, Ele criou a necessidade do pão da vida eterna.
Quem partilha com o outro o pão material, está despertando nele a necessidade de Deus, com seu gesto concreto de amor!
FIQUE NA PAZ DE JESUS!
(Olivia Coutinho – Liturgia Diária Comentada).

9 – DISTRIBUIU-OS AOS QUE ESTAVAM SENTADOS, TANTO QUANTO QUERIAM.

Distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam.
Este Evangelho narra à cena da multiplicação dos pães. O evangelista começa dizendo que uma grande multidão seguia Jesus, porque via os sinais que ele operava em favor dos doentes. Hoje continua havendo sinais, a favor dos doentes, a favor do casamento, da paz… Sinal, no Evangelho de S. João, é uma manifestação da presença de Deus através de um gesto humano.
“Jesus subiu o monte e sentou-se… Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus”. O monte lembra o monte Sinai onde Deus deu os dez mandamentos para Moisés. Sentar-se é atitude própria do legislador. Jesus quer criar uma nova Lei e uma nova Páscoa, em que comer o alimento sagrado nos compromete com a partilha do alimento material.
“Levantando os olhos…” Nós também precisamos levantar os olhos para ver as necessidades dos nossos irmãos e irmãs. Abrir a janela da nossa casa para ver o mundo lá fora, ver com o coração, e depois abrir a porta e sair para o meio do mundo, como fazia Jesus.
“Jesus disse a Filipe: onde vamos comprar pão…? Disse isso para pô-lo à prova”. Foi para provar a fé do Apóstolo, pois se estamos junto com Deus tudo é possível, não existe problema sem solução. Mas Filipe não passou na prova: “Nem duzentas moedas…” Felizmente outro Apóstolo, André, ouviu a conversa e se saiu bem melhor que o colega: “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes…” A prova era justamente esta: confiando em Deus, apresentar o pouco que temos, a fim de que Deus faça o resto. Deus sempre faz surpresas.
A humanidade se divide em dois grupos: os egoístas, que não confiam em Deus e por isso ajuntam bens o máximo que podem, e os solidários que confiam em Deus e partilham o pouco que possuem. Estes são felizes, aqueles não, apesar das riquezas que acumulam.
“Fazei sentar as pessoas”. Multidão sentada evita tumulto, é mais fácil trabalhar, passar pelo meio e distribuir. Evita que os aproveitadores recebam mais que os outros. É o mesmo que dizer: organizai o povo. Povo unido e organizado nunca passa fome.
“Jesus tomou os pães e deu graças… e fez o mesmo com os peixes”. Deus opera maravilhas, mas precisamos ter fé, confiar nele e orar!
“Recolhei os pedaços que sobraram”. Evitar o desperdício. Não jogar alimento no lixo, sabendo que ao lado há pessoas que não têm! Este é um grande pecado da humanidade moderna.
“Quando notou que estavam querendo proclamá-lo rei, Jesus retirou-se”. Com o gesto ele disse: a glória é para Deus Pai, não para mim! Isso que eu fiz, vocês podem fazer, e mais ainda, se tiverem fé.
Quanta maravilha semelhante a essa multiplicação dos pães acontece hoje em dia, graças a cristãos que agem como o Apóstolo André! Cheios de fé e confiança, apresentam a Deus o pouquinho que têm ou que sabem, e acontece o milagre chamado pastoral da saúde, pastoral da criança, do idoso, da moradia, da terra… São alimentos que se multiplicam, sorrisos que se abrem, vidas que se renovam. Comunidades pequenas transformam bairros inteiros. O milagre está a disposição de todos, porque Deus foi, é e será sempre assim. Ele abençoa quem dá o primeiro passo. Às vezes esse primeiro passo consiste em convocar uma reunião, em procurar alguém e abrir o coração, expondo sua inquietação…
Certa vez, um homem teve um sonho. Sonhou que Deus estava criando a humanidade com asas. Mas em cada um, tanto homem como mulher, ele colocava uma asa só, de um lado, ficando o outro lado sem asa. O homem perguntou então para um anjo: “Por que Deus não coloca duas asas nos homens, como fez com as aves”? O anjo respondeu: “Porque os homens e as mulheres só podem voar se segurarem na mão de Deus”.
Então é isso aí: de um lado a asa, do outro segurando em Deus. Assim podemos voar, e muito alto. Podemos não só multiplicar pães, como fez Jesus, mas fazer muito mais.
Que Maria Santíssima nos ajude a imitar o Apóstolo André, a fim de que o Reino do seu Filho seja construído o mais rápido possível.
Distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam.
(Padre Queiroz – Liturgia Diária Comentada).

10 – VAMOS MULTIPLICAR A PALAVRA DE DEUS?

Jesus multiplicou os pães. Vamos multiplicar a palavra de Deus?
Jesus multiplicou os pães e saciou a fome de muita gente que ali se encontrava entregue, sem reserva aos seus cuidados, pois queriam ouvi-lo, e serem curados por ele. Irmãos, agora é a nossa vez de nos multiplicarmos para poder multiplicar a nossa ação missionária, levando a palavra de Jesus a tantos que estão com fome, famintos da palavra de Deus. Aqueles que possamos atingir, por meio do nosso esforço, e por meio desta maravilha tecnológica que é a internet, que apesar de não ter somente coisas boas, é um instrumento maravilhoso dos nossos tempos atuais.
Quando era pequeno, alguém um dia contou-me esta “estorinha”: Em uma grande rocha havia um poço de água suja. Como era impossível virar a grande pedra para jogar fora a água contaminada, alguém começou a jogar água limpa naquele grande buraco substituindo assim o líquido existente, até que quase toda aquela água ficou limpa. Assim, também, nós, vamos inundar a internet com a nossa ação missionária, vamos derramar água pura que é a palavra de Deus, e multiplicar o número daqueles que ouviram o chamado de Deus para catequizar, para evangelizar.
Quando falamos em multiplicar alguma coisa, temos logo a ideia de quantidade. Mas é importante não nos esquecer da qualidade.
Aqui estamos catequizando à distância para atingir outros irmãos distantes. Somos missionários, somos catequistas, e devemos tomar cuidado com a qualidade do nosso santo trabalho. Dessa forma, vejamos como devemos ser:
E COMO DEVE SER UM(A) CATEQUISTA?
“O catequista não pode ser o(a) dono(a) da verdade nem do saber.
Não pode confundir ENCONTRO de Catequese com AULA de Catecismo.
Tem que arranjar tempo e disposição para participar dos encontros de PREPARAÇÃO, PLANEJAMENTO e AVALIAÇÃO da Catequese.
É pessoa que REZA (oração pessoal, com os demais catequistas, com os catequizandos e nos encontros litúrgicos, de preferência sempre com as crianças).
É uma pessoa que ESTUDA, REFLETE. Participa de cursos, busca constante atualização.
Cultiva o espírito de EQUIPE; faz questão de trabalhar em equipe; nas coisas práticas, sempre procura agir de acordo com aquilo que foi resolvido em comum.
É uma pessoa PONTUAL. Até se antecipa à chegada das crianças e é o último a sair. Os momentos antes e após o encontro de catequese com as crianças, são momentos preciosos para melhor conhecer e fazer amizade com as mesmas.
Não tem “direito” de perder a paciência nem com o catequizando, nem com os familiares. Gritos, xingatórios, são anti-catequéticos.
Procura sempre dar apoio e conviver fraternalmente com os colegas de Pastoral.
Procura fazer todo possível para não prejudicar o andamento da Família. Pelo contrário, capricha mais para que todos se sintam felizes.
Cria, inventa mas sempre com o objetivo de melhor transmitir a Mensagem proposta para aquele dia.
Tem estima sagrada pela IGREJA, pela BÍBLIA, pela EUCARISTIA, entre outras coisas!”
O catequista primeiro deve dizer a mensagem par si mesmo, depois para os catequizandos.
Precisa:
Conhecer o que prega.
Conhecer a quem ensina.
E acima de tudo, viver o que transmite, e estar sintonizado em Jesus, refletindo diariamente o seu evangelho e de preferência estar sempre em estado de graça.
Pois “… vós sois o sal da terra. Se o sal perder o seu sabor como poderás…”
(José Salviano – Liturgia Diária Comentada).

Podemos também fazer as seguintes perguntas:
COMO DEVE SER UM JOVEM DO EJC?
COMO DEVE SER O ADOLESCENTE DO EAC?
COMO DEVE SER O CASAL DO ECC?
COMO DEVE SER O INTEGRANTE DA PASTORAL FAMILIAR?
COMO DEVE SER O CRISTÃO EM SUA COMUNIDADE?

11 – JESUS, O PÃO DOS POBRES.

Convoquei meu grupo de “teólogos” para refletir esse evangelho da multiplicação dos pães, pois com o evangelista João, todo cuidado é pouco, já que o seu escrito é rebuscado e nem sempre o ensinamento é o que parece. O “Mota”, que é aposentado na área administrativa e auxilia a nossa secretaria, abriu um enorme sorriso quando viu o texto: “Está na cara que Jesus faz uma dura crítica ao capitalismo, é preciso repartir o pouco que se tem, para matar a fome de todos, sempre soube que esse Jesus é dos nossos…” concluiu Mota, que defende de unhas e dentes o socialismo, e briga quando se fala sobre a CEBs. Neste momento, o João Ernesto que trabalha de encarregado em uma grande empresa, balançou a cabeça e respondeu: “Olhe, se for para discutir nessa visão, eu desisto, o Mota pensa que só ele sabe de tudo”.
Calma pessoal… – Intervi – Não vamos censurar o Mota, pois esse evangelho realmente nos faz olhar a questão da fome, e se não tocarmos nesse ponto, estaremos sendo omissos – comentei, tentando apaziguar os ânimos dos debatedores que começaram bastante exaltados.
Em uma visão bem simples, parece que o evangelho ensina que Jesus estando por perto, ninguém vai passar fome. “Ué, mas não é isso? Tinha só cinco pães e dois peixes, não ia dar nem pro cheiro, daí Jesus deu a bênção e mandou servir, todos comeram a vontade e ainda sobrou…” – exclamou Maneco, ao que Dona Maria, a doméstica, aparteou: “Gente, isso me lembra um ditado popular, o pouco com Deus é muito, mas o muito sem Deus é nada”.
“Vocês ficam brabos quando eu falo em CEBs, mas é um trabalho onde se valoriza muito a partilha e a comunhão de vida, exatamente como Jesus ensinou”. – retrucou Mota com mais calma, sem intenção de disparar farpas.
“Eu sei Mota, todos aqui sabem disso, mas é que você fala como se a CEBs representasse a salvação do mundo, e isso não é verdade” respondeu Roseli, nossa catequista, que continuou “A CEBs é uma eclesiologia, uma maneira de ver as coisas, mas não é a única, no cristianismo existe uma essência que é o eixo de tudo, perguntemos, por exemplo, qual a missão de Jesus entre nós, será que foi para resolver o problema da fome que ele veio? E se foi, por que não resolveu”?
Roseli é muito inteligente e sabe como provocar o grupo, um rei que tivesse o poder de multiplicar os alimentos e saciar a fome de uma multidão, estava de bom tamanho para aquele povo, aliás, no final do evangelho é exatamente isso que quiseram fazer, mas Jesus “pulou fora”. A Salvação que ele oferece não se restringe a deixar o homem com a “barriga cheia”, saciado da fome material. É muito mais que isso!
“Mas a vida plena que ele veio nos dar, como diz em João, supõe o homem em sua totalidade, inclusive com suas necessidades vitais onde a fome é uma delas” – argumentou Mota. “Está certo, mas temos outras necessidades que não se encontram por aí em supermercados, como os alimentos”. – retrucou Roseli.
“Esse João é um danado, escreveu uma coisa, mas no fundo está querendo dizer outra” – comentou o Maneco em sua simplicidade, acertando na “mosca”. Os milagres narrados por João são “iscas” para nos convencer de algo que está por trás de cada um deles.
O homem sempre terá necessidade de algo que lhe é essencial, e que somente Jesus de Nazaré poderá lhe oferecer. Todos os problemas humanos, consequentes do pecado, poderão de fato ser resolvidos, se o homem se dispuser a receber a Salvação que Jesus oferece, então é exatamente nesse sentido que está o ensinamento da multiplicação dos pães e peixes, Jesus apresenta o problema, Filipe alega que não têm recursos para resolvê-lo, o irmão de Simão Pedro diz que há um recurso, mas que ele é insuficiente em relação as necessidades da multidão. Na vida em comunidade acabamos sendo influenciados pela sociedade consumista que se move a partir do valor econômico, onde sempre é preciso ter “muito” para poder ser feliz, se esse conceito fosse verdadeiro, apenas uma minoria da população, considerada rica, seria feliz, mas sabemos que ao contrário, há pessoas pobres, muito felizes com a vida que têm, enquanto por outro lado, há ricos infelizes, que as vezes recorrem até ao suicídio, insatisfeitos com o que são e têm. Isso mostra o quanto tal premissa é enganosa e falsa.
O acúmulo de bens financeiros e patrimoniais nas mãos de poucos, é no fundo uma tremenda ilusão, primeiro porque alimentam a mentira de que, com o dinheiro e a riqueza a gente tem tudo, e em segundo, porque da noite para o dia toda essa fortuna pode ir água abaixo se mal administrada, basta ver os grandes impérios econômicos que ruíram, e no demais, no final da vida, o rico irá descobrir que a morte o espera, para separá-lo eternamente de todos os seus bens, daí toda a sua riqueza de nada valerá.
Já os que são saciados pelo amor de Deus, manifestado na salvação que Jesus traz, podem esperar muito mais, os doze cestos que sobraram prenunciam a vida plena do novo povo de Deus, que se tornará perene no exato momento em que, ao término da existência terrena, tudo parece ser um trágico fim. Sou então obrigado a concordar com a Dona Maria, que nos dizia lá no início da reflexão “O pouco com Deus é muito, e ainda sobra para a vida nova que Jesus nos deu, mas o “muito” que esta vida nos oferece, é nada, se a humanidade teimar em menosprezar a Salvação, da qual somente Jesus, o Filho de Deus, é portador.
(Diácono José da Cruz – Liturgia Diária Comentada).

12 – DISSE ISSO PARA TESTAR FILIPE, POIS ELE SABIA MUITO BEM O QUE IA FAZER.

Hoje lemos o Evangelho da multiplicação dos pães: “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes” (Jo 6,11). A preocupação dos Apóstolos diante de tanta gente faminta nos faz pensar hoje em uma multidão atual, não faminta, mas ainda pior: afastada de Deus, com uma “anorexia espiritual” que impede de participar da Páscoa e conhecer a Jesus. Não sabemos como chegar a tanta gente… Alenta-nos na leitura de hoje uma mensagem de esperança: não importa a falta de meios, mas os recursos sobrenaturais; não sejamos “realistas”, mas “confiantes” em Deus. Assim, quando Jesus pergunta a Filipe onde podia comprar pão para todos, na realidade “disse isso para testar Filipe, pois ele sabia muito bem o que ia fazer” (Jo 6,5-6). O Senhor espera que confiemos Nele.
Ao contemplar esses “sinais dos tempos”, não queremos passividade (preguiça, fraqueza por falta de luta…), mas esperança: o Senhor, para fazer o milagre, quer a dedicação dos Apóstolos e a generosidade do jovem que entrega alguns pães e peixes. Jesus aumenta nossa fé, obediência e audácia, embora não vejamos logo o fruto do trabalho, da mesma forma como o camponês não vê brotar a planta logo depois da semeadura. “Fé, portanto, sem permitir que o desalento nos desanime; sem que paremos em cálculos meramente humanos. Para superar os obstáculos, há que se começar trabalhando, empenhando-nos inteiramente na tarefa, de modo que o nosso próprio esforço nos leve a abrir novos caminhos” (São Josemaria Escrivá), que aparecerão de forma insuspeita.
Não esperemos o momento ideal para fazer a nossa parte: devemos fazê-la o quanto antes, pois Jesus nos espera para fazer o milagre. “As dificuldades que o panorama mundial apresenta neste começo do novo milênio nos induzem a pensar que só uma intervenção do alto pode fazer-nos esperar um futuro menos obscuro”, escreveu João Paulo II. Acompanhemos, pois, esse panorama com o Rosário da Virgem, pois sua intercessão se tem feito notar em muitos momentos delicados sobre quais tem deixado sua marca profunda a história da Humanidade.
(Rev. D. Llucià POU i Sabater (Vic, Barcelona, Espanha) – Evangeli.net).

13 – MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES.

O capítulo sexto tem um significado todo especial no Evangelho de S. João. Jesus acaba de atravessar o lago da Galileia, subindo a um alto monte com seus Apóstolos. Uma grande multidão os segue “por causa dos sinais que ele operava nos doentes”. O termo sinal nos remete, possivelmente, aos ensinamentos sobre o pão do céu, o pão vivo, seu próprio corpo dado como alimento. Anteriormente, ao ouvirem estas palavras, muitos tinham se escandalizado, deixando-o. Agora, ao multiplicar os pães para alimentar a multidão, Jesus deseja que seus seguidores não considerem o sinal só sob o aspecto miraculoso, portentoso, mas como obra de Deus. O milagre da multiplicação dos pães deverá repercutir nos corações de todos como forte apelo à fé, convite a crer nele como o enviado de Deus, que revela a inaudita misericórdia divina, tocando a todos como jamais acontecera até aquele momento. De par com a misericórdia, Jesus fala do amor (ágape) salvador e recriador que perpassa todo o Evangelho.
À pergunta do Mestre, de como iria alimentar todo aquele povo, o Apóstolo Felipe lhe responde: “Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um recebesse um pedaço”. A morosidade dos Apóstolos em compreendê-lo é impressionante. A paciência do Senhor, no entanto, é inesgotável. A pouco e pouco ele os irá instruindo e conduzindo-os a uma fé vigorosa e esclarecida. No momento, cabe-lhes, unicamente, dizer à multidão para se assentar: “sentaram-se, pois os homens, em número de cinco mil, aproximadamente”. Então, Jesus toma alguns pães, não mais do que cinco, e dois peixinhos e os dá justamente a eles, aos Apóstolos, para que os distribuíssem. Bondade e ternura carinhosa do Senhor. Não despede as pessoas famintas para que busquem alimento nos vilarejos vizinhos, ainda que distantes. Ele as acolhe e lhes dá de comer. Dos olhos espirituais dos Apóstolos caem como que escamas e eles se tornam instrumentos do amor generoso do Mestre. Agora, distribuem o pão, mais tarde, irão levar a Palavra do Evangelho, o pão rompido, para alimentar os corações dos fiéis. “A Palavra regenera e eleva os fiéis com o seu calor vivificante” (S. Máximo).
Depois de todos estarem saciados, os Apóstolos recolhem doze cestos, com os restos dos cinco pães, para que fosse atestada a superabundância do dom divino, prenunciando o banquete messiânico no monte de Deus. Hão de se realizar as palavras de Jesus: “Quem comer a minha carne terá a vida eterna”. É a presença real e substancial do Senhor na celebração da Eucaristia. Aos Apóstolos e sucessores cabe cumprir a ordem: “Fazei isto em memória de mim” e prolongar, na história, a ternura e a caridade sincera do Mestre.
(Dom Fernando – Padre Marcelo Rossi).

CELEBRAÇÃO DE HOJE

— II Semana da Páscoa (branco – ofício do dia).

MONIÇÕES

MONIÇÃO AMBIENTAL OU COMENTÁRIO INICIAL:
– 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Como cristãos, e por isso vivendo em Comunidade, nossa vocação é manifestar o imenso amor, o amor extremamente generoso de Deus por seu povo. Diante da generosidade divina, perguntamo-nos sobre a nossa: será que estamos prontos a ter compaixão e correr ao encontro das necessidades alheias? Não é nossa vocação tornar-nos alheios às necessidades dos irmãos e irmãs.
– 2ª: Reconhecer o direito dos pobres de nutrir-se do pão que sustenta a vida significa comprometer-se com as exigências do amor e trabalhar para que a proposta de Jesus se realize em escala mundial! Nunca podemos nos opor aos planos de Deus.

MONIÇÃO PARA A(S) LEITURA(S) E O SALMO:
– 1ª: Deus Conosco; – 2ª: Liturgia Diária.

– 1ª: Eles saíram muito contentes, por terem sido considerados dignos de injurias por causa do nome de Jesus. Jesus manifestou o amor generoso, tendo compaixão da multidão, multiplicando os pães: distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam.
– 2ª: É vontade de Deus que todas as pessoas tenham, a cada dia, alimento para saciar a fome. Sua palavra nos anima a enfrentar as forças que se opõem à sua proposta de vida para a humanidade.

MONIÇÃO PARA O EVANGELHO

— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.
— O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus. (Mt 4,4b).

ANTÍFONAS

Antífona da entrada.

Vós nos resgatastes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações e fizestes de nós um reino e sacerdotes para o nosso Deus, aleluia! (Ap 5,9-10).

Antífona da comunhão

Cristo Senhor foi entregue por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, aleluia! (Rm 4,25).

ORAÇÕES DO DIA

Oração do dia ou Oração da coleta

Concedei, ó Deus, aos vossos servos e servas a graça da ressurreição, pois quisestes que o vosso Filho sofresse por nós o sacrifício da cruz para nos libertar do poder do inimigo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Preces da Assembleia ou Oração da Assembleia:
– 1ª: Liturgia Diária.

— Lembrai-vos, Senhor.

— Dos evangelizadores, missionários e profetas.
— Dos vocacionados e vocacionadas à vida consagrada.
— Dos famintos e injustiçados da sociedade.
— Dos que se empenham pela erradicação da fome no Brasil e no mundo.
— Das famílias que vivem o amor e a solidariedade.

Oração sobre as oferendas

Acolhei, ó Deus, com bondade, as oferendas da vossa família e concedei-nos, com o auxílio da vossa proteção, sem perder o que nos destes, alcançarmos os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.

Oração depois da comunhão

Guardai, ó Deus, no vosso constante amor, aqueles que salvastes, para que, redimidos pela paixão do vosso Filho, nos alegremos por sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.

Fontes de Consultas e Pesquisas

Vamos expor a seguir, os nomes dos sites e blogs a que pertencem os textos que nos preenchem todos os dias com palavras inspiradas pelo Espírito Santo, nos dando um caminho com mais sabedoria, simplicidade e amor.

FONTE PRINCIPAL DE PESQUISA E INSPIRAÇÃO — “BÍBLIA SAGRADA”.

O importante não é a pessoa que escreve, mas quem inspira essa pessoa a escrever.

O importante não é como se lê o que está escrito, mas como se age.

O importante não é sentar-se à direita ou a esquerda do Pai, mas sim, realizar o trabalho que ele nos pede.

Ter conhecimento não é ter sabedoria, sabedoria é saber compartilhar o conhecimento.

— Editora Santuário;
— Canção Nova (Padre Fernando Santamaria);
— Dom Total (Padre Jaldemir Vitório);
— Edições Loyola (Padre Valdir Marques);
— Evangelho Quotidiano (Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013));
— CNBB;
— Catequisar;
— Nova Aliança (Antônio Carlos Santini);
— Liturgia Diária Comentada (Olívia Coutinho; Padre Queiroz; José Salviano; Diácono José da Cruz);
— Evangeli.net (Rev. D. Llucià POU i Sabater (Vic, Barcelona, Espanha));
— (Padre Marcelo Rossi – Bispo Dom Fernando);
— Portal Paulinas.

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